A reportagem de capa, sobre Carolina de Jesus, é reveladora sobre a escritora que deu início à "Literatura Periférica" nos anos 60. Carolina teve uma vida difícil e sujeita a preconceitos por ser favelada, mãe solteira, negra e semianalfabeta. Morando na Favela do Canindé (SP) escreveu uma série de diários, entre 1955-1960, que originaram o livro "Quarto de Despejo", publicado em 1960. Um relato da vida na favela, com seus dramas e realidades aterradoras, pelo olhar de uma moradora, conhecedora íntima do cotidiano. O livro teve impacto na sociedade e foi traduzido para mais de 10 idiomas. Apesar da repercussão, a escritora caiu no ostracismo e faleceu na década de 70 esquecida. Além desse, publicou outros. Alguns são póstumos e há mais de 5 mil páginas inéditas em sua produção literária. Algumas obras falam um pouco dessa realidade, como "O Cortiço", de Aluísio Azevedo (1890), mas sem a dimensão dos diários de Carolina. Estamos no ano de seu centenário e seus livros constituem-se em um importante documento da realidade brasileira.
A reportagem "As decisões mais desastrosas da história" é também interessante, baseada no livro "As piores decisões da História", de Stephen Weir. A motivação de muitos desses erros foram a raiva, inveja, fé cega, luxúria, orgulho e até mesmo um mal elaborado (ou disfarçado) desejo de fazer caridade. Os resultados provocaram sofrimentos, desastres e incontáveis mortes. A revista ilustrou com: a tragédia do Titanic (em 1912), a invasão de coelhos na Austrália (1859, resultado da introdução de espécies exóticas, catastrófico para a natureza e sociedade), a morte de Tancredo Neves em 1985 (os interesses políticos protelando os interesses da saúde), a eleição e renúncia de Collor (1992), a desastrosa invasão napoleônica da Rússia (1812) e a destruição dos astecas por Cortez (1519, aproveitando-se da recepção que teve como um deus).
"O reino da Paz Celestial" é outra importante história, ocorrida na China, quando um líder, que se considerava irmão de Jesus, usou de uma ideologia misturando cristianismo, conceitos próprios e políticos para derrubar o império. A rebelião durou 13 anos e ocasionou milhões de morte. Os ideais, teoricamente igualitários e fraternos, geraram ações tão violentas e fatídicas como as da dinastia que combatiam. A rebelião transformou a China, enfraquecendo o poder imperial e inspirando o comunismo, a custo de uma mortandade maior que toda a Primeira Guerra Mundial.