Corpo -

    Carlos Drummond de Andrade

    Companhia das Letras
    2015
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9788535925548
    Português Brasileiro

    Potência e maturidade de um poeta que, aos oitenta anos, ainda observava a vida com força e lirismo. Publicado em 1984, Corpo é um dos grandes livros da última fase de Carlos Drummond de Andrade. Com mais de oitenta anos de vida e cinquenta de carreira literária (Alguma poesia, sua estreia em livro, é de 1930), o mineiro jamais se acomodaria: a força dos poemas reunidos neste volume é testemunha do inesgotável talento para ajustar, numa poesia tão comunicativa quanto poderosa, grandes temas como o amor, a morte, o meio ambiente e os afetos. "Meu corpo não é meu corpo, / é ilusão de outro ser.", diz o poeta na primeira peça do livro As contradições do corpo. Rico em significados, o título do volume lança luz sobre os vários corpos habitados por todos nós: este físico e mortal que carregamos desde o nascimento, o corpo sensual, sensorial e afetivo, e o corpo geográfico e urbano. Não à toa há desde poemas sobre relações amorosas até observações sobre o "corpo" de nossas cidades, cada vez mais degradadas. A preocupação com a devastação à brasileira (isto é, a violência contra o outro, contra a natureza e contra o patrimônio histórico e emocional das nossas cidades, em especial do Rio de Janeiro) vinha sendo umas das preocupações de Drummond desde, pelo menos, o final da década de 1960. Neste livro, o itabirano é bastante eloquente sobre o estado de coisas do Brasil. Seus versos têm o peso da denúncia, do comentário mais veemente - sem que isso signifique, claro, perder a ternura e o olhar generoso sobre a vida. Com posfácio da crítica e escritora Maria Esther Maciel, esta edição de Corpo é uma nova oportunidade para entrar em contato com a corrente sanguínea de uma poesia que, ainda hoje, irriga nossa melhor literatura.

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    Arsenio Meira03/02/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Corpo", do poeta maior, é um livro crepuscular. A 1ª edição é de 1982. O grande poeta é o que marca o seu tempo, sendo por ele marcado: eis a primeira lição, e não a menos importante, que nos propõe a poesia drummondiana. Neste livro, sobrepaira um dos poemas definitivos do nosso poeta, escrito em homenagem à sua colega de ofício bem mais jovem, a poeta Ana Cristina César, que em 1983, deu cabo da própria vida, interrompendo, assim, uma das mais promissoras trajetórias da nossa poesia. O original do poema foi recolhido pelo poeta e curador da obra de Ana Cristina, o poeta Armando Freitas Filho, que o publicou nos livros póstumos da escritora carioca. O poemeto, composto por nove versos, é imenso e contém uma valiosa lição, ainda que dolorosa, que nos legou Drummond. Melhor que gastar verbo é transcrever logo: "Ausência Com o pensamento em Ana Cristina César Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim." CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (1902 - 1987)

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