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    Um Rio Chamado Atlântico - A África no Brasil e o Brasil na África

    Alberto da Costa e Silva

    Nova Fronteira
    2011
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788520926734
    Português Brasileiro
    4.4
    35 avaliações
    Leram76Lendo27Querem283Relendo1Abandonos3Resenhas6
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    Neste Livro estão presentes as mesmas qualidades que explicam por que um crítico exigente como Wilson Martins considera Alberto da Costa e Silva “o maior africanólogo em língua portuguesa”. Nestes 16 textos sobre as relações históricas entre o Brasil e a África e sobre a África que moldou o Brasil e o Brasil que ficou na África, o pesquisador cuidadoso e o analista percuciente e instigante não se desatam um só momento do poeta. Se é o poeta quem anda pelas ruas dos bairros brasileiros de Lagos e Ajuda, quem desenha as fachadas das casas térreas e dos sobrados neles construídos pelos ex-escravos retornados do Brasil e quem traz das páginas dos documentos e dos livros as personagens com que se povoam estes ensaios, é o historiador quem lhe guia cuidadosamente os passos e recupera, para pô-los em primeiro plano, situações, enredos e episódios que tinham saído, ou quase, de nossa memória.

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    André Ferreira17/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Fluxo e Refluxo: cultura e a aproximação entre Brasil e a África

    Em mais uma das minhas leituras acadêmicas e uma volta ao passado, venho mais uma vez discorrer sobre História, mais especificamente sobre História da África. A complexa movimentação de escravos e troca cultural do Oceano Atlântico entre os séculos XVI e XIX não caberiam em algumas sínteses historiográficas recentes, por isso apresento um breve resumo de “Um Rio Chamado Atlântico” onde a África é o tema, abordado pelo historiador Alberto da Costa e Silva se consente, que reúne textos publicados entre 1989 à 2003. O Brasil, a África como parte de um comercio Atlântico, entre os séculos XVI e XIX apresenta um fluxo e refluxo cultural, político e econômico, com representações sociais que marcam a História do Brasil e dos países africanos da costa Oeste, especialmente. O livro se divide em quatro partes, que se distribuem os ensaios exploram com retidão aparente a metáfora do vasto oceano convertido em rio. Ao longo da primeira (“Nas duas margens”), o Atlântico é ainda um mar extenso, suporte de movimentos grandiosos nas intenções, configurações e efeitos — o tráfico de almas e o capitalismo, o abolicionismo britânico e seu desiderato (o domínio dos fluxos mercantis de longa distância), as guerras santas e o traslado compulsório de milhares de muçulmanos para as Américas, mencionando apenas alguns. A segunda e terceira partes (“Na margem de lᔠe “Na margem de cá”) têm por cenários os litorais transformados em beiras. A estreitá-los, o enraizamento na África e no Brasil de instituições, óbvio; mas sobretudo de comunidades transoceânicas, encarnações de intensas mestiçagens culturais a dar novo significado ao espaço, ao homem, a seus deuses. A quarta e última parte do livro (“De ida e volta”) é composta tão somente pelo pequeno ensaio intitulado “A história da África e sua importância para o Brasil”. No início de sua vida soberana como país independente, todo o esforço diplomático do Brasil concentrou-se na obtenção do reconhecimento de sua independência pelos demais Estados. Logrado esse reconhecimento, passaram a predominar nas preocupações externas do país os problemas ligados ao tráfico de escravos e à navegação comercial entre o Brasil e a África. Agora não se tratava de um diálogo direto com os reinos e as cidades-estado independentes da África, mas de um debate diplomático, logo transformado em azeda disputa, entre o Brasil e a Grã-Bretanha. Esta cedo ganharia, de fidelidade cambiante, dos governos da França, de Portugal e de outras potências europeias. A causa da discórdia era o tráfico negreiro. Nas primeiras décadas do século XIX, passaram de um extremo ao outro os interesses econômicos da Grã-Bretanha. De grande mercadora de escravos, transformara-se em advogada ardorosa e militante da abolição do tráfico. A própria existência da escravidão começava a contrariar seus novos objetivos políticos e econômicos, ditados pelo avanço da chamada Revolução Industrial. A colônia americana de Portugal expandira-se a partir de pequenos e coesos núcleos populacionais, formados por banidos, cristãos-novos, órfãos desamparados, nobres sem fortuna, ameríndios livres ou escravos, mestiços de indígenas e europeus. Desses núcleos, em que logo se integraram os primeiros escravos negros e onde logo surgiram os primeiros mulatos, iniciar-se-ia a penetração do interior do país. A vinda, em números crescentes, de escravaria africana propiciaria o surgimento e a prosperidade da indústria açucareira, das plantações de fumo e de algodão e das grandes lavouras de café, assim como permitiria que se expandissem a pecuária e o extrativismo mineral. O Brasil em suas diversas fases históricas tem sofre influencia dos povos africanos, parte fundamental da formação da identidade brasileira. O Brasil é um país extraordinariamente africanizado. E só a quem não conhece a África pode escapar o quanto há de africano nos gestos, nas maneiras de ser e de viver e no sentimento estético do brasileiro. Um livro muitíssimo rico, com um cabedal de informações, referências bibliográficas e históricas sobre a dinâmica das sociedades africanas, especialmente da Costa Oeste do continente, que compõem um quadro amplo, apresentado um trabalho de alto gabarito. A importância do estudo da História da África, da interação com os movimentos políticos e sociais dos escravos no Brasil, apresenta uma crescente e faz parte de um caráter afirmativo de uma História que necessita maior destaque. Fazemos parte de uma sociedade plural, e é necessário mais iniciativas como a deste livro, de estudar nossas raízes. Um livro pra quem adora História.

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    Alberto Vasconcellos da Costa e Silva

    Alberto Vasconcellos da Costa e Silva (São Paulo, 12 de maio de 1931) é um diplomata, poeta, ensaísta, memorialista e historiador brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras e atual orador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Foi distinguido com o Prémio Camões de 2014.

    32 Livros
    2 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Alberto Vasconcellos da Costa e Silva