Deixe o Quarto como Está - Ou Estudos para a composição do cansaço.

    Amilcar Bettega

    Cia das Letras
    2015
    101 páginas
    3h 22m
    ISBN-10: B00L9MQOIU
    Português Brasileiro

    Publicado pela primeira vez em 2002, « Deixe o quarto como está » teve uma excelente recepção por parte da crítica, que saudou a inventividade narrativa e a sobriedade da linguagem empregada pelo autor. O livro é uma coletânea de quatorze contos que descrevem mundos e personagens escorregadios, cada um obedecendo a uma lógica própria e muito distante daquela que costuma reger o nosso cotidiano. O insólito e o imprevisível emergem em cada frase, como que a contestar insistentemente a nossa própria noção do real. Esgotado há quase uma década, « Deixe o quarto como está » é agora relançado exclusivamente em versão digital. O que disse a crítica : « O livro de Amilcar Bettega é composto de contos fora de comum nos dois sentidos da palavra. Pela temática e originalidade, inscrevem-se entre os melhores contos surrealistas, enquanto pela arte narrativa contam-se de pleno direito entre os melhores de nossa literatura." » (Wilson Martins, O Globo) "’Deixe o quarto como está' é uma dessas obras que inquietam o leitor, não só pela estranheza de seus temas, mas, e talvez principalmente, por aquio que lhes dá o caráter de verossímeis. Lemos as narrativas sob a perspectiva da ficção, do fantástico, mas, curiosamente, encontramo-nos perseguidos pela tendência de encontrar ali uma grande verdade." (Ernani Mügge, Brasil/Brazil) "Os contos de Bettega são narrados de modo desassombrado, sincero, com a mesma naturalidade de quem relata um evento cotidiano, ou um caso sem importância. É nessa atmosfera banal que o imaginário irrompe, não para quebrar ou substituir a realidade, ou para com ela competir, mas, ao contrário, para alargá-la, descortinando fronteiras que habitualmente desconsideramos." (José Castello, Revista Bravo!) « Alternando luz e sombra, o autor constroi uma atmosfera ambígua, entre o sonho e a vigília, sob a qual ergue-se um mundo que nos parece familiar, apesar de toda a estranheza que desperta à primeira vista. Talvez o familiar esteja nos sentimentos que guiam os personagens: cansaço, solidão, tristeza e, atravessando tudo isso, uma magra e insistente esperança. Ou talvez esteja na forma inacabada de cada uma dessas composições, a nos lembrar nossa condição humana, sempre provisória. » ( Flávio Carneiro, Jornal do Brasil) « Coisa rara, trata-se de um livro sem pontos baixos. » (Carlos Graieb, Veja) Recentemente, em matéria da Revista Bula (ver link) "Deixe o quarto como está" foi considerado um dos 15 livros "obrigatórios" dos últimos 15 anos da literatura brasileira. http://www.revistabula.com/3412-15-livros-obrigatorios-dos-ultimos-15-anos-da-literatura-brasileira/

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    Willian Coelho30/01/2021Resenhou um livro
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    Não excepcional, mas funcional

    “Deixe o quarto como estᔠé a segunda obra do contista gaúcho Amílcar Bettega Barbosa (possui 3 livros de contos, 1 romance e participa de várias antologias). É formada por 14 contos do estilo realismo fantástico - que mescla elementos reais (como ambientes e personagens) a outros incongruentes. São situações que, para aquela dimensão proposta pelo autor, são coerentes, embora envoltas por uma atmosfera onírica. Os enredos têm uma conotação cerebral, parece que há uma mensagem a ser transmitida; em uma entrevista, contudo, o autor dá a entender que aquilo não foi previamente pensado, não se trata de uma alegoria. Ele também afirma que seus textos estão relacionados, formando uma unidade e, portanto, para ele, um livro de contos não pode ser dessinérgico. Algumas tramas são kafkianas (“O crocodilo 1 e 2”, “O rosto”), outras se aproximam mais da realidade (“Aprendizado”, “Para salvar Beth”). Além disso, conquanto a narrativa em primeira pessoa é a mais prevalente, dois contos são em terceira pessoa (“Autorretrato”, “O encontro”). Ou seja, de fato existe uma unidade quanto aos elementos fantásticos e reais, porém os tons de cada termo variam bastante. A linguagem empregada é simples e universal, sem excesso de rebuscamento e marcas tradicionalistas gaúchas (tão intrínsecas ao falatório e à escrita dessa população). O escritor é bastante premiado; todavia, em uma busca simples pela internet, observa-se um misto de apreciação com descontentamento para com esta obra. A maioria das pessoas foca suas críticas na ausência de exposição de que o autor se vale, e isso, certamente, é oriundo das leituras de péssima qualidade desse público. É deveras corriqueiro que os indivíduos criem uma espécie de “estrutura de enredo ideal” e, com isso, acabam repudiando todo o resto. Existem muitas formas de literatura e cada uma deve ser lida dentro do seu contexto e da sua proposta: obviamente não se pode traçar uma comparação entre uma epopeia e uma prosa moderna. Infelizmente, a literatura está, assim como inúmeras outras formas de arte, se deteriorando: o público, cada vez mais embotado por horas nas redes sociais, busca narrativas rasas e com exposição barata.

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