Edgar Allan Poe (1809-1849), um dos primeiros contistas norte-americanos, não é só considerado o maior expoente do horror gótico, como também um dos precursores da ficção científica e o criador da literatura policial moderna, isto é, tal qual ela é conhecida hoje em dia. Sinteticamente, trata-se de uma rara unanimidade de crítica e publica cuja pátina do tempo não conseguiu sombrear a importância, pelo contrário, é impossível adquirir um pertinente conhecimento do cânone literário passando incólume pelo seu nome.
Este livro reúne suas narrativas policiais que se distinguem pela presença do francês C. Auguste Dupin. Ele é o protótipo do detetive particular brilhante que coadjuvado por um amigo jamais nomeado, narrador de suas aventuras e desprovido de uma inteligência acima da média, formam uma dupla modelar.
A bem da verdade, eles inauguram uma longa lista de parcerias detetivescas da qual também fazem parte celebridades como Holmes e Watson, Poirot e Hastings. Entretanto, raramente uma história de outro autor “consegue oferecer o mesmo toque especial de horror e absoluto caos que Poe é capaz de nos proporcionar”. (Adriana Cecchi, Apresentação)
Quanto aos contos, eis o trio na ordem cronológica de publicação:
* Os Assassinatos Na Rua Morgue (1841): Narra os macabros homicídios de mãe e filha. Antecipando o crime do quarto fechado, ele exige um pensamento analítico para a resolução do enigma.
* O Crime de Marie Rogêt (1842-1843): Apresenta a recriação ficcional de um assassinato que realmente ocorreu. Empregando a ciência forense da época, fundamenta-se na atenção aos detalhes.
* A Carta Roubada (1844-1845): Gira ao redor de uma o roubo de uma correspondência de conteúdo comprometedor em que a vítima já sabe quem o praticou. Nesse caso, a problema é encontrar a tal carta, mas a limitada perspectiva de quem a procura pode colocar em risco a investigação.
Já sobre a edição, como é recorrente no catálogo da Editora Antofágica, ela destaca-se pela excelência do conteúdo e a qualidade tanto do e-book como do livro físico. Vale atentar para a boa tradução de Isadora Prospero, e as ilustrações adequadamente soturnas, em branco e preto, de Fernanda Azou. Já na Fortuna Crítica, Alberto Mussa dá uma aula sobre Poe e literatura policial, tira todas as dúvidas em “Eu, Leitor de Poe”, contudo não deixe para trás os outros textos:
* “Racionalidade, Cachimbo e Ordem” - Bruno Paes Manso.
* “Poe: O Pai Da Literatura Policial Moderna?” - Daise Lilian
Bom entretenimento!🕵️♂️