Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições2
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas74
    • Leitores1443
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Um Coração Simples (A Arte da Novela) -

    Gustave Flaubert

    Grua
    2015
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-10: 8561578440
    Português Brasileiro
    3.6
    704 avaliações
    Leram1011Lendo23Querem402Relendo1Abandonos6Resenhas74
    Favoritos11Desejados402Avaliaram704

    Com uma atenção aos detalhes da vida burguesa considerada quase escandalosa na época, Um coração simples fará com que muitos se lembrem, ou descubram, por que Gustave Flaubert foi aclamado como o primeiro grande mestre do realismo. Esta novela traz a história de uma mulher simples, Félicité, que trabalha décadas como criada para a Sra. Aubain, uma viúva de alguns recursos. Zela por tudo na casa, ajuda a criar os pequenos Paul e Virginie, mima seu sobrinho Victor, que entra em sua vida por acaso. Sua compreensão pouco sofisticada do mundo, pautada por suas realidades próximas e por sua própria história sem grandes acontecimentos, é acompanhada por um grandioso sentimento de amor, no sentido amplo da palavra. Escrita perto do fim da vida do autor, o trabalho era para ser uma homenagem a George Sand, que morreu antes do texto ficar pronto, e foi concebido em resposta a uma discussão entre ambos sobre a importância do realismo. Embora o texto mostre seu virtuosismo para contar detalhes e se baseie em uma de suas serviçais da vida real, Julie, Flaubert disse que a novela exemplificava sua declaração - 'beleza é o objeto de todos os meus esforços'.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (74)Ver mais
    Luiz Antunes picture
    Luiz Antunes09/05/2026Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    A nobreza na simplicidade

    Na última segunda-feira, aproveitei um pouco das férias prolongadas para um passeio no centro de São Paulo com a minha esposa, Diana. Começamos pela Pinacoteca, onde vimos algumas obras de arte genuínas dividindo espaço com outras não tão agradáveis aos olhos. Felizmente, essa foi apenas a primeira parte do roteiro, pois logo em seguida fomos conhecer a maior biblioteca pública da cidade: a Mário de Andrade. Chega a ser uma pena o Skoob não permitir anexar fotos, pois eu adoraria mostrar o lugar incrível de leitura gratuita que temos disponível por aqui. Maravilhados com o ambiente, nós nos desafiamos a escolher um livro curto para ler ali mesmo em uma hora, resultando na descoberta dessa obra simples, mas muito bonita e charmosa. O achado acabou sendo uma grata coincidência, já que nós dois estamos lendo Madame Bovary, do mesmo autor, e esbarrar com esse texto de apenas oitenta páginas uniu o útil ao agradável. Devoramos a história rapidamente e fomos embora com uma sensação excelente. Parte dessa sensação se deve à forma como o livro conta a trajetória de Félicité, uma criada descrita com vinte e cinco anos, mas que carrega uma aparência de quarenta. Trazendo o peso de sofrimentos passados, ela passa a trabalhar para a Sra. Aubain, uma viúva burguesa, e dedica sua vida aos dois filhos da patroa, tratando-os com o mesmo zelo que tem pelo seu próprio sobrinho, sua única família. O enredo retrata os dias de convivência nessa casa e as diversas provações que a doméstica enfrenta sem jamais se queixar, a ponto de encontrar seu único apoio espiritual em um papagaio. Como já estávamos familiarizados com o texto limpo e elegante de Flaubert, notamos a mesma qualidade aqui: ele descreve bastante, mas são detalhes sempre úteis que garantem uma leitura muito fluida. Além disso, por se tratar de uma obra do século XIX, é notável o destaque dado a uma personagem historicamente invisível. O autor retrata a rotina dessa mulher simples com enorme empatia e dignidade, criando um relato comovente que contrasta o tempo todo com a postura da Sra. Aubain: uma patroa em muitos momentos fria e egoísta, que só passa a enxergar a dor da própria Félicité após um grande choque de realidade. Apesar dessa carga emocional forte, o livro é curto e extremamente preciso. É uma narrativa simples, exatamente como deveria ser, e fica difícil apontar defeitos que me fizessem desgostar da obra. Se há algo que posso pontuar como estranho, é apenas o desfecho inusitado envolvendo o papagaio, mas que de forma alguma chega a ser ruim. Em sua essência, Um Coração Simples funciona quase como uma releitura da vida de Jó. A chuva de sofrimentos e provações que a protagonista enfrenta pode até cansar os leitores menos empáticos por soar um tanto exagerada, mas infelizmente, a vida real às vezes bate exatamente assim, e eu sou prova disso. No fim das contas, esse é o tipo de leitura ideal para você sentar em uma tarde calma, esquecer tudo ao redor e ler com tranquilidade e paz. Literalmente, com um coração simples.

    23 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 704
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas1%
    Gustave Flaubert profile picture

    Gustave Flaubert

    "Madame Bovary sou eu", disse Gustave Flaubert quando os juízes lhe perguntaram quem teria sido o modelo da sua personagem, durante o seu julgamento, em 1856. Ele foi acusado pelo governo francês de ter escrito uma "obra execrável sob o ponto de vista moral". Mas foi absolvido pela Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena, em Paris, em fevereiro de 1857. Resultado de cinco anos de trabalho, seu romance de estréia, "Madame Bovary", é uma dura depreciação dos valores burgueses. Segundo alguns críticos conservadores, Flaubert ridicularizou sua própria condição social. Afinal, o autor era filho de um médico provinciano rico e vivia de rendas em sua idade adulta na propriedade rural do pai. A história de Emma Bovary, que trai o marido para fugir da vida medíocre, é um retrato da incapacidade mental, emocional e moral das sociedades provincianas. Flaubert se dizia um estudioso da estupidez humana e colecionava episódios de burrice publicados em livros e jornais. Para ele, estupidez era mais freqüente na província. A falta de inteligência também foi o tema de "A Tentação de Santo Antão" (1874). Em 1840, como prêmio por ter concluído os estudos secundários, ganhou uma viagem para os montes Pirineus e para a ilha de Córsega. Ao passar por Marselha, viveu um namoro com Eulália Foucaud de Langlade. O idílio foi inspiração para a obra "A Educação Sentimental" (1869). Entre 1849 e 1851, o autor viajou para a África, onde colheu informações para "Salambô" (1862), sobre a queda de Cartago. Flaubert foi um dos autores mais importantes do Realismo, movimento estético de reação ao Romantismo europeu no século 19, influenciado pelas teorias científicas, a Revolução industrial e a linha filosófica de Augusto Comte (o Positivismo). Ele levou à perfeição o ideal do romance realista de harmonizar a arte e a realidade. Sua obra se caracteriza pelo cuidado na sintaxe, na escolha do vocabulário e na estrutura do enredo. Em 1866, recebeu a Legião de Honra do governo francês. Pouco antes de sua morte, vendeu propriedades para evitar a falência do marido de sua sobrinha. Passou a viver de um salário como conservador da Biblioteca Mazarine. O romance "Bouvard et Pécuchet" foi publicado inacabado, postumamente.

    78 Livros
    368 Seguidores

    Gustave Flaubert