Vou deixar uma opinião muito pessoal sobre o livro e que eu quero registrar aqui por falta de lugar melhor. Tenho o skoob há tantos anos e sempre usei o site como um instrumento, seja de motivação para encontrar novas obras, ou para observar como minha relação com a leitura evoluiu... meus comentários registrados nos históricos de leitura me divertem horrores.
Esse é o segundo livro de Angela Davis que leio. Por isso mesmo já adianto que não sou nem um pouco capacitada para de fato fazer uma resenha crítica da obra, pois sendo esse livro uma coleção de entrevistas, me parece muito errado presumir que eu tenho a capacidade de avaliar o discurso da Angela sem estudar, de fato, todas as grandiosíssimas contribuições que ela fez para o campo da ciências sociais.
Com a chamada feita pelo Black Lives Matter para o racismo na nossa sociedade e a necessidade de combatê-lo, decidi aproveitar esse momento da quarentena para me propor a ler autores(as) negros(as). Angela Davis, por óbvio, foi uma das autoras que eu escolhi.
Estou utilizando esse espaço do skoob pra registrar isso pra mim mesma, pra que daqui há alguns anos, talvez com mais conhecimento, eu possa ter alguma memória de quando iniciei essa empreitada.
Por muito tempo eu tive pavor de expressar minha opinião sobre certos temas pois sempre tive consciência de que me falta conhecimento teórico sobre estruturas profundas da nossa sociedade e acredito que de idiotas falando o que quer já temos um monte. Não pretendo ser mais uma.
Ler Angela Davis está me fazendo perceber que, mesmo muito muito muito leiga, eu sempre tive razão em um ponto: não da pra falar de absolutamente NADA que envolva o social sem entender as interseccionalidades. Meu receio em me posicionar sem entender os diversos espectros sobre a mesma situação não era infundado.
O primeiro livro que li dela foi "A liberdade é uma luta constante" e sendo "A democracia da abolição" o meu segundo, fico muito satisfeita por essa ordem que escolhi. Sinto que a temática persistente do complexo industrial-prisional como o maior projeto institucional racista da nossa sociedade foi muito bem demonstrada nos dois livros. Entender punitivismo, abolicionismo penal, racismo e a importância de discutir tudo isso levando em conta absolutamente todo o resto sem dúvidas foi meu maior aprendizado dessa leitura. Discussões rasas não agregam e é na superficialidade que ocorrem as injustiças -- esse é um despertar que eu só tive graças as obras de Angela Davis... e por isso sou muito grata