Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições3
    • Vídeos0
    • Grupos2
    • Resenhas72
    • Leitores4979
    • Similares6
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    A queda do céu - Palavras de um xamã yanomami

    Davi Kopenawa

    Companhia das Letras
    2015
    768 páginas
    1d 1h 36m
    ISBN-13: 9788535926200
    Português Brasileiro
    4.8
    436 avaliações
    Leram639Lendo498Querem3772Relendo3Abandonos67Resenhas72
    Favoritos112Desejados3772Avaliaram436

    Relato de xamã yanomami revela a riqueza e as lutas dos povos da floresta em livro de gênero único. Um grande xamã e porta-voz dos Yanomami oferece neste livro um relato excepcional, ao mesmo tempo testemunho autobiográfico, manifesto xamânico e libelo contra a destruição da floresta Amazônica. Publicada originalmente em francês em 2010, na prestigiosa coleção Terre Humaine, esta história traz as meditações do xamã a respeito do contato predador com o homem branco, ameaça constante para seu povo desde os anos 1960. A queda do céu foi escrito a partir de suas palavras contadas a um etnólogo com quem nutre uma longa amizade - foram mais de trinta anos de convivência entre os signatários e quarenta anos de contato entre Bruce Albert, o etnólogo-escritor, e o povo de Davi Kopenawa, o xamã-narrador. A vocação de xamã desde a primeira infância, fruto de um saber cosmológico adquirido graças ao uso de potentes alucinógenos, é o primeiro dos três pilares que estruturam este livro. O segundo é o relato do avanço dos brancos pela floresta e seu cortejo de epidemias, violência e destruição. Por fim, os autores trazem a odisseia do líder indígena para denunciar a destruição de seu povo. Recheada de visões xamânicas e meditações etnográficas sobre os brancos, esta obra não é apenas uma porta de entrada para um universo complexo e revelador. É uma ferramenta crítica poderosa para questionar a noção de progresso e desenvolvimento defendida por aqueles que os Yanomami - com intuição profética e precisão sociológica - chamam de "povo da mercadoria".

    Edições (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (6)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (72)Ver mais
    Ana Sá picture
    Ana Sá06/05/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Dormem muito, mas só sonham com eles mesmos"

    "Para nós, a política é outra coisa. São as palavras de Omama [demiurgo Omama, primeiro xamã] e dos xapiri [termo yanomami para designar tanto os xamãs, os homens-espírito –xapiri thëpë–, quanto os espíritos auxiliares –xapiri pë] que ele nos deixou. São as palavras que escutamos no tempo dos sonhos e que preferimos, pois são nossas mesmo. Os brancos não sonham tão longe quanto nós. Dormem muito, mas só sonham consigo mesmos". Os novos-velhos casos de genocídio em território Yanomami fizeram gritar as memórias que tenho deste livro, que, desde que li, se mantém firme no meu Top 3 de obras que me mudaram muito e para sempre. Realizei a leitura há bastante tempo, mas só agora venho arriscar uma resenha, a fim de, pura e simplesmente, fazer propaganda gratuita desta obra (sobretudo porque a tal lista da Folha mexeu com a curiosidade das pessoas). É uma leitura densa, que exige muito de nós, principalmente na sua primeira metade, mas que nos deixa absolutamente estupefatas. Trata-se de um texto escrito a quatro mãos: seu autor-narrador é o líder indígena Yanomami Davi Kopenawa, já seu escritor é Bruce Albert, etnólogo francês, nascido no Marrocos, responsável por traduzir, da língua indígena para o francês, um pouco mais de uma década de conversas e entrevistas (ou de "sequências de monólogos") realizadas com Kopenawa. A publicação original, na França, ocorreu em 2010, e somente cinco anos depois, em 2015, a obra veio a ser bravamente traduzida para o português por Beatriz Perrone-Moisés, tendo como cereja do bolo o brilhante prefácio assinado por Eduardo Viveiros de Castro. "A queda do céu" tem origem no desejo de Davi Kopenawa de "explicar essas coisas para os brancos". E não é difícil entendermos sua razão: num país historicamente marcado por um falar "sobre os indígenas", que por séculos foram objeto da narração dos não indígenas, a obra nos convida a um contato com os indígenas enquanto sujeitos de suas próprias histórias. E eu, mulher não indígena, jamais vou me esquecer da sensação de me perceber sendo narrada ali naquelas páginas. É quase impossível acompanhar Davi Kopenawa descrevendo "o povo da mercadoria” sem nos sentirmos patéticas. É revoltante ver o quanto os livros de História e a mídia não chegam nem perto de narrar à altura o desastre humano e ambiental decorrente da atividade mineradora. Ao nos descolonizar, este livro escancara o tamanho da nossa ignorância, além de nos colocar diante de vários dilemas éticos. Não me lembro onde vi/ouvi essa frase, mas uma das conclusões que tirei de "A queda do céu” foi justamente esta: como a colonização de pensamento nos emburreceu! Ainda que a questão do genocídio indígena seja transversal, há no livro um belíssimo convite ao cotidiano e às tradições Yanomami em geral. Um contato ímpar com sua cosmovisão. A descrição dos rituais xamânicos, por exemplo, é de arrepiar! Pode ser cansativo para algumas leitoras, pois Kopenawa caminha sempre devagar, investindo nas minúcias, nos entregando os detalhes… É também demorada a familiarização com expressões e termos da(s) língua(s) Yanomami. Mas a quem tiver paciência, o fechamento de alguns capítulos pode ser equivalente a um voltar para casa. Falo da minha experiência: no encerramento de algumas passagens, eu tive a sensação de estar voltando, cansada mas ainda anestesiada, ao meu sofá, tamanha era a sensação de ter viajado para dentro da floresta. A escrita de Kopenawa é generosa no modo como pinta as paisagens e as sensações de tudo que acontece ali, mas sem propor uma romantização ou um endeusamento dos povos indígenas. Este é outro ponto alto: Kopenawa não foge a temas polêmicos ou delicados quando eles aparecem. A segunda metade do livro torna-se mais dinâmica, sobretudo quando foca na consolidação do ativismo político de Kopenawa, a partir de 1980 mais ou menos. O teor dos relatos muda, pois os cenários e as pessoas são completamente diferentes, mas também ali há passagens muito marcantes. As situações envolvendo os compromissos de Kopenawa na América do Norte ou na Europa são interessantíssimas e continuam a propor olhares descoloniais na nossa forma de nos relacionar com as outras culturas. Um acontecimento, em específico, acho que na ocasião de uma visita que Kopenawa faz a um museu parisiense (não tenho o livro em mãos para confirmar qual era exatamente o museu), deveria ser leitura obrigatória nas escolas, inclusive. Sério, vocês vão se lembrar de mim quando chegarem a este capítulo, ele é f*%D demais! Eu realmente concordo com Eduardo Viveiros de Castro quando ele diz que “A queda do céu” é um “acontecimento”, e não meramente um texto. Na média, a leitura não é fluida, mas no todo, ela é arrebatadora. Temos aqui um livro de História do Brasil que nos liberta, em alguma medida, das amarras da história única que o eurocentrismo nos impôs. O período que marca os relatos que dão forma à obra, que vão da iniciação xamânica de Kopenawa até o amadurecimento de seu papel de líder indígena (se não me falha a memória, isso abrange, mais ou menos, o período de 1960/70 ao início dos anos 2000), nos dá uma outra visão de Brasil ao mesmo tempo que nos recorda que o pior da História se repete. As notícias atuais sobre o povo Yanomami poderiam ter sido retiradas dos “monólogos" de décadas atrás que Kopenawa já havia registrado em seu livro justamente com o objetivo de “explicar essas coisas para os brancos”. E ele explicou. Fomos nós que não entendemos nada. Será que ainda há tempo para aprendermos a sonhar um pouco mais longe?

    86 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.8 / 436
    • 5 estrelas74%
    • 4 estrelas21%
    • 3 estrelas3%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas0%
    Davi Kopenawa Yanomami profile picture

    Davi Kopenawa Yanomami

    Davi Kopenawa nasceu por volta de 1956, na comunidade de Mõra mahi araopë (região do rio Toototobi), no extremo norte do Amazonas. É presidente fundador da associação Hutukara, que representa a maioria dos Yanomami no Brasil. Foi condecorado, entre muitos outros títulos e distinções nacionais e internacionais, com a Ordem do Mérito do Ministério da Cultura (2015). É membro da Academia Brasileira de Ciências (2021) e, com Bruce Albert, coautor de A queda do céu (Companhia das Letras, 2015), traduzido para sete idiomas.

    4 Livros
    15 Seguidores
    Amazonas, Brasil

    Davi Kopenawa Yanomami