Em oito contos, de tom e conteúdo bastante distintos, mas em que o sexo está na origem de todas as situações, Ana Rossetti, mais que descrever, sugere-nos algumas das muitas experiências sexuais e eróticas que qualquer um de nós, gente comum, poderia viver, ou pode ter vivido, naqueles momentos em que as paixões extravasam e que nos levam insidiosamente ao ódio, à repugnância, à vergonha, à violência, ao ressentimento, e, sobretudo, ao ciúme.
Aleivosias
Maria Lucia Rosseti
Oito tons da mesma coisa
Uma das primeiras ações que fiz ao conseguir uma conexão (discada) de internet foi procurar sebos online. Então, um mundo de possíveis compras se abriu e eu fiz uma longa lista de livros que desejava comprar ao longo dos anos. Alguns deles eram obras que eu havia lido na infância em alguma biblioteca e que agora desejava ter um exemplar para mim (o leitor egoísta, de que tanto falam e do qual confesso ser um exemplo perfeito); outras obras eram de autores preferidos de quem eu desejava completar a coleção inclusive algumas outras razões, inclusive as menos intelectuais, tais como uma capa ou um título de que gostei. E incluí e comprei Aleivosias, de Ana Rossetti, justamente por esses últimos critérios. Apenas e tão somente pelo título. Corri o risco e, se não o tivesse comprado, sinceramente, não faria diferença nenhuma em minha vida de leitor. Aleivosias é um composto de oito contos, sobre as peripécias sexuais de algumas mulheres e homens, escrito em uma linguagem rebuscada, barroca, mas todos parecendo ter os mesmos personagens e as mesmas histórias sobre o mesmo tema: o prazer sexual. O que me veio à cabeça? A autora deve ter quebrado a cabeça procurando em dicionários um monte de palavras para descrever as mesmas coisas, as mesmas cenas, as mesmas situações... Certos contos parecem ter sido escritos apenas para originar escândalo: a descoberta do prazer infantil, a homossexualidade em ambientes religiosos, uma relação forçada beirando o estupro (e é mesmo), enfim, um certo tom de brincadeira deslumbrada sobre alguns dos piores aspectos do ser humano. Outros não passam de visões banalizadas do mesmo tema: a mulher que nunca conseguiu ter satisfação sexual ou que, se já a teve, começa a perdê-la. Vale a pena? Quem sou eu para dizer que não, mas imagine a autora de Cinquenta tons de cinza tentando misturar a linguagem de Góngora (principalmente no conto Et ne nos inducas) com a linguagem mais informal (sem palavrões) dos autores contemporâneos... É para você?
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