A Capital da Solidão (Ponto de leitura) - Uma história de São Paulo das origens a 1900

    Roberto Pompeu de Toledo

    Objetiva
    2003
    599 páginas
    19h 58m
    ISBN-13: 9788539001033
    Português Brasileiro

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    Paulo Henrique14/03/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Contrastes

    Roberto Pompeu de Toledo faz nas páginas deste livro uma bela exposição da história da cidade de São Paulo, desde o contexto histórico de sua fundação em 1554 até o ano de 1900. Mas por que até o ano de 1900? O autor diz já no começo: "Que contraste com o objeto deste livro, a cidadezinha insignificante que foi São Paulo na maior parte de sua existência. De todos os paradoxos de São Paulo, um dos maiores é o que oferece o cortejo de seu presente com o seu passado." Ou seja, o autor aqui não quer apresentar a SP atual de tamanho colossal conhecida por nós, mas sim, por contraste, mostrar o que São Paulo já foi: um povoado "subproduto da corrida pelo Prata", fundada por jesuítas com a intenção de catequisar e que por décadas correu o risco de extinção por falta de pessoas - "fadada a repetir a sorte dos tantos outros ajuntamentos que, na época, desapareciam tão rápido quanto apareciam", além de estar isolada (daí a Capital da Solidão) dos demais centros litorâneos de influência nas épocas do Brasil Colônia e Império. A história é apresentada em três partes: Começos, Incertezas e Arrancada. Na primeira parte, desenha o contexto histórico em que nasceria o povoado de São Paulo do Piratininga, caracterizada pela debilidade do povoado e pelas Bandeiras. Na segunda parte, trata da personalidade que a vila ia moldando ao longo dos próximos séculos, sem muita perspectiva de grandes coisas se não fossem sua posição geográfica estratégica e algumas figuras ilustres. É nessa parte que o autor se delonga mais, com histórias da cultura e do dia a dia apresentadas de forma às vezes cômicas, como no trecho: "Há notícias de que os banhos nos rios Tietê e Tamanduateí, em dias de verão, um hábito que a população herdou dos índios, podiam terminar em festa pagã, com todo mundo nu." E na terceira parte é apresentada uma São Paulo já em vias de abrir as portas para o progresso que ela viria a se caracterizar a partir do ano de 1900, já fora do escopo deste livro. É aqui que o autor expõe, na segunda metade do século XIX, a influência do café, as linhas de ferro e os imigrantes europeus, principalmente italianos, que se tornariam a primeira onda de recursos humanos estrangeiros que dariam o choque inicial e necessário para a arrancada da cidade. Para quem se interessa por história, é um bom livro.

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