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    O Pai Morto

    Donald Barthelme

    Rocco
    2015
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788532529756
    Português Brasileiro
    3.5
    41 avaliações
    Leram51Lendo1Querem164Relendo1Abandonos6Resenhas6
    Favoritos2Desejados164Avaliaram41

    Imenso, poderoso, frágil, atônito, surpreendente, mentor, castrador, pecador, um homem maior que todos, ou um homem como qualquer um. O fio condutor do romance de Donald Barthelme, publicado originalmente em 1975 e lançado agora pela primeira vez no Brasil, é a saga dos filhos para enterrar o Pai Morto, uma figura gigantesca, que não está totalmente convencida sobre o fim de sua existência. Revelado nos anos 1960 nas páginas da revista New Yorker, Barthelme (1931–1989) se tornou um dos expoentes do que a crítica viria a chamar de pós-modernismo. No livro, o autor, ganhador do National Book Award, exercita com maestria o senso de humor inconfundível que influenciou gerações de escritores dentro e fora dos Estados Unidos, de Salman Rushdie e David Foster Wallace a Dave Eggers.

    Resenhas (6)Ver mais
    Wanderson picture
    Wanderson14/01/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O PESO DA PATERNIDADE

    Escrever sobre "O pai morto" é muito perigoso, pois se está diante de uma obra cujo foco está no trabalho com a linguagem, e não no enredo; na verdade, tem-se aqui um não enredo, e sim, parafraseando uma assertiva pynchoniana, um conjunto de alfinetadas literárias, longas metáforas, metáforas de metáforas, arengas, paródias... enfim um "barthelmismo". Narrar o trajeto do Pai morto - que era bem vivo! - ao suposto Velo (uma espécie de fonte da juventude) é quase um pretexto para Barthelme exercer seu ofício criativo com a linguagem, estilhaçá-la e reinventá-la em seu grau máximo. Por isso, talvez, "O pai morto" exija uma leitura ao mesmo tempo atenta e descontraída - atenta, pois há alguns jogos linguísticos bem sutis, muitos paradoxos e sugestividade; descontraída, porque é assaz lúdica e humorada. Se fosse apenas por tais aspectos, já se teria um grande livro. Mas o livro consegue desenvolver outra camada: a da crítica. Sem dúvida, não fui capaz de apreender todos os juízos que o autor exerce ao longo do livro; creio que muita coisa esteja atrelada a um contexto sincrônico à produção da obra. Contudo, é possível perceber o constante questionamento feito à cultura patriarcal, a diversas formas de opressão e controle que, mesmo mortas (silenciosas), são capazes de resultados atrozes. É um livro curto, de ritmo e leitura lenta. Mas mordaz, ultramoderno, singular. Uma leitura diante da qual não se fica indiferente. "Para encontrar um pai perdido: o primeiro problema de encontrar um pai perdido é perdê-lo de uma vez por todas. Muitas vezes ele sairá vagando de casa e se perderá. Muitas vezes ele permanecerá em casa mas ainda estará 'perdido' em todas as acepções genuínas do termo, trancado dentro de um quarto do segundo andar, ou dentro de uma oficina, ou na contemplação da beleza, ou na contemplação de uma vida secreta." (p. 188)

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 41
    • 5 estrelas15%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas32%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas5%
    Donald Barthelme profile picture

    Donald Barthelme

    Escritor estado-unidense conhecido por seus contos pós-modernistas. Trabalhou também como repórter para o jornal <i>Houston Post</i>, como editor chefe da revista <i>Location</i>, como diretor do Museu de Arte Contemporâneo de Houston, Texas (entre 1961 e 1962), e como professor em várias universidades. Foi cofundador da revista <i>Fiction</i>, junto com Mark Mirsky e a ajuda de Max e Marianne Frisch). Foi um dos impulsores do Programa de Escritura Criativa da Universidade de Houston. Barthelme é considerado um mestre nas obras curtas, capazes de exercer grande impacto sobre o leitor. Suas obras são marcadas por surrealismo e grande comicidade, com experimentações formais e inovações linguísticas.

    23 Livros
    4 Seguidores
    Pennsylvania, EUA

    Donald Barthelme