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    Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias -

    Philip Gourevitch

    Companhia das Letras
    2000
    419 páginas
    13h 58m
    ISBN-10: 8535900616
    Português Brasileiro
    4.4
    247 avaliações
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    Favoritos7Desejados922Avaliaram247

    Philip Gourevitch é um repórter norte-americano que chegou a Ruanda em 1994, logo após o extermínio da minoria étnica tutsi, levado a cabo pela maioria hutu, com apoio do governo do país. Gourevitch entrevistou diversos envolvidos, desde sobreviventes tutsis e familiares das vítimas, até proeminentes figuras hutus acusadas de terem tomado parte no genocídio. É uma história real de terror e intolerância, de seres humanos que assassinaram vizinhos e até parentes, distinguindo os que mereciam viver dos que não mereciam pelos documentos de identidade. Hutus mereciam viver, os tutsis (e qualquer hutu que fosse contrário ao genocídio) não tinham esse direito. Algumas cenas descritas por Gourevitch parecem impossíveis, e o grau da maldade e do absurdo do ocorrido em Ruanda faz a morte do menino João Hélio parecer brincadeira de crianças.

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    Bookster Pedro Pacifico picture
    Bookster Pedro Pacifico20/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias”, de Philip Gourevitch - Nota 8,5/10

    Como é possível sabermos tão pouco sobre um dos episódios recentes mais tristes da humanidade? Por que não aprendemos na escola a história de um genocídio que, em 1994, exterminou mais de um milhão de pessoas em apenas 100 dias em Ruanda por conta de diferenças étnicas? Talvez o que acontece em um pequeno país no meio do continente africano possa não interessar muito aos meios de comunicação do ponto de vista político ou econômico… mas, independentemente disso, a gente pode corrigir esse filtro seletivo das informações que chegam até nós durante a juventude. A história é, sim, extremamente triste. É visceral. Mas como seres humanos nós precisamos conhecer a nossa história, saber do que - infelizmente - somos capazes, até mesmo para evitar novos episódios como esse. Temos que saber que uma política discriminatória aparentemente inofensiva pode levar a um massacre coletivo, coisa de filme de terror. E é isso que o trabalho do jornalista norte-americano Philip Gourevitch, que passou três anos pesquisando sobre a tragédia, traz ao leitor. É um verdadeiro mergulho na história do país, percorrendo todo o período que antecedeu o genocídio, os próprios meses dos assassinatos em massa e os momentos seguintes ao acontecimento que deixou uma marca eterna nos cidadãos daquele país. São relatos com vítimas diretas de ataques, assassinos e pessoas ligadas ao governo. A escrita é envolvente, mas Gourevitch não se importa em revelar detalhes assustadores do que aconteceu em Ruanda. É um livro que causa extremo desconforto no leitor, mas que é fruto de uma pesquisa profunda da mentalidade do povo ruandês. A obra é extensa e, por isso, recomendo que você alterne com um livro de ficção mais tranquilo, o que pode evitar que a leitura se torne um pouco repetitiva e cansativa. Li o livro antes da minha viagem para Ruanda e, com toda certeza, a leitura enriqueceu muito minha experiência na viagem! O país é incrível, assim como o seu povo, que conseguiu aprender com a tragédia e se transformar em uma referência de desenvolvimento para os países africanos.

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