A Cidade das Palavras - As histórias que contamos para saber quem somos

    Alberto Manguel

    Cia. das Letras
    2008
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788535912975
    Português Brasileiro

    Nos primeiros anos do século XX, pouca gente teria motivo para suspeitar da velha definição do homem como animal social ou da confiança moderna na história como marcha do progresso humano. Depois de um século de extrema violência e intolerância, num planeta que sofre com a degradação ambiental, não são poucos os que se perguntam: afinal, por que vivemos juntos e para onde nos encaminhamos? O consenso de outrora virou a perplexidade de hoje, e é desta que partem as reflexões de Alberto Manguel em A cidade das palavras. São reflexões de um homem de letras, para quem a linguagem, a ficção e a literatura ocupam um lugar decisivo na experiência humana. Para ele, a linguagem tem o dom de impor alguma ordem ao mundo, e a narrativa nos permite constituir nossas identidades. Leitor eclético e enciclopédico, Manguel sabe pensar a partir das narrativas mais variadas: obras e autores são aqui convidados a iluminar as questões que o preocupam. Como as histórias que contamos nos ajudam a perceber a nós mesmos e aos outros? Como elas conferem identidade a indivíduos, grupos e sociedades? Serão elas capazes de mudar quem somos e o mundo em que vivemos?

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    Aguinaldo Medici Severino31/01/2011Resenhou um livro
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    a cidade das palavras

    Este "A cidade das palavras" foi mais uma sugestão de minha amiga Eliane, precisa e instigante como sempre. Trata-se de um livro que é resultado de uma série de conferências preparadas no Canadá (país de adoção do argentino Alberto Manguel), chamadas "Massey Lectures". Neste ciclo de palestras Manguel discute o atávico hábito humano de ler, ouvir e contar histórias (para ele estas habilidades humanas são por definição a razão de sermos de fato humanos). É um livro quase técnico, mas que pode ser apreciado apenas como aulas de um erudito professor. Talvez elas percam um tanto do frescor e da força ao sairem do auditório cheio, pleno do calor e da participação do público. Não sei. Mas o texto dá muita informação específica e na verdade é tão vasto em seu propósito e abrangência, que não sei se de fato ele não vale mais como um manual de usos da inteligência e/ou curiosidade de cada leitor. Afinal podemos seguir a partir dos muitos pontos onde ele para nas reflexões. Os temas são generalistas demais, apesar de instigantes, afinal como falar do desenvolvimento da linguagem no homem sem ser superficial, apenas apontando os caminhos? O ciclo de palestras poderia ser resumido assim: Cassandra, Gilgamesh, Babel, Quixote, Hal, ou seja, ele parte dos mitos e histórias dos gregos, escava um tanto mais fundo ao descrever dois mitos sobre o dilúvio e avança o tempo para os grandes marcos do Don Quixote e da ficção científica da segunda metade do século passado. Um bom livro, sim, mas devemos partir dele e avançar se quisermos alcançar um novo patamar de sabedoria. [início 14/04/2009 - fim 17/04/2009] "A cidade das palavras", Alberto Manguel, tradução de Samuel Titan Jr., editora Companhia das Letras (1a. edição) 2008, brochura 14x21, 150 págs., ISBN: 978-85-359-1297-5

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