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    A Bíblia Inglesa e As Revoluções do Século XVII -

    Christopher Hill

    Civilização Brasileira
    2003
    642 páginas
    21h 24m
    ISBN-10: 8520005802
    Português Brasileiro
    3.9
    9 avaliações
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    Um dos maiores Historiadores do sec XX, Christopher Hill busca, neste livro, analisar o papel desempenhado pela Bíblia na Inglaterra do sec XVII. Durante as decadas de 1640-50 os ingleses tiveram que enfrentar situações inesperadas - principalmente a intensa disputa entre o rei e o parlamento - sem nenhuma orientação teórica, como a que Rosseau e Marx deram aos seus sucessores franceses e russos(...) A tese de Hill é de que todas as idéias que dividiram os partidos da guerra civil(...) podem ser encontradas nas Escrituras Sagradas...

    Resenhas (2)Ver mais
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa picture
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa15/03/2010Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    Uma bíblia profanada - um bom livro, mas pessimamente traduzido

    O britânico Christopher Hill, falecido em fevereiro, renovou a historiografia marxista com suas análises, do processo revolucionário inglês de 1649 a 1689, que romperam com a tradição dogmática e anacrônica de aplicar-lhe o modelo “francês” de revolução burguesa. Mostrou que – ao contrário da nobreza e das classes populares – a burguesia não teve papel relevante na revolução inglesa (mesmo se o futuro do capitalismo foi muito favorecida por ela). E também que o sectarismo religioso que a caracterizou não pode ser entendido como um subproduto da luta política, nem como mero disfarce de motivações econômicas, mas apenas como a linguagem própria e essencial da luta social, tratando-se de um povo cuja única leitura eram os livros sagrados traduzidos para o inglês, como detalha "A Bíblia Inglesa e as revoluções do século XVII". É um trabalho relevante não apenas para esse século, mas também para a história posterior do Reino Unido e até para o uso político atual de textos sagrados, como esboça "Uma Nota sobre a Teologia da Libertação", anexa a essa obra. Infelizmente, porém, é preciso recomendar aos interessados ignorar a recém-lançada edição brasileira e procurar a edição da Penguin britânica ou a de bolso, da Penguin norte-americana. O original presume certa familiaridade dos leitores com a Inglaterra do século XVII e suas disputas teológicas. Mas no Brasil, em que o catolicismo é a tradição religiosa dominante e a França, a principal referência estrangeira em ciências humanas, este tema pode ser espinhoso até para historiadores profissionais. Mesmo se houvesse recorrido a um tradutor competente, a editora não deveria dispensar uma séria revisão técnica e algumas notas de tradução. Mas a Civilização Brasileira não fez isto, nem muito menos. Colocou no mercado mais uma dessas traduções que desvirtua ou deixa incompreensíveis muitas das passagens mais importantes. É mais uma amostra de negligência para com o trabalho de um grande autor e de desdém para com o leitor brasileiro. Como não é preciso beber a garrafa inteira para saber se um restaurante deixou um bom vinho azedar, vamos apenas citar alguns exemplos cuja gravidade é fácil de compreender, mesmo para quem não é do ramo. À página 89, a versão nacional diz que “os textos agnósticos foram excluídos do Novo Testamento”. Teria sido muito natural não admitir obras “agnósticas”, ou seja, irreligiosas. Mas o autor se referia a textos gnósticos. Pulando para a 408, lemos que “Quando Nell Gwynn foi confundida com a amante do rei da França pela multidão hostil, ela disse, resumidamente: ‘façam silêncio, meu bom povo, eu sou uma prostituta protestante’”. Nenhum “rei da França” teve relação com o célebre incidente. Uma multidão irada sacudiu a carruagem dessa bem-humorada compatriota e cortesã ao tomá-la por sua rival, odiada por ser estrangeira e católica: Louise de Kéroualle, a amante francesa do rei (the King’s French mistress) – do inglês Charles II, para ser claro. Uma tradução melhor do apelo de Gwynn, aliás, seria: “calma, gente boa, eu sou a prostituta protestante”. Erros ainda mais graves arruinaram o famoso dístico popular medieval que resume o espírito dos rebeldes ingleses e da obra de Hill. A tradutora perpetrou três versões, todas absurdas. À página 62, lê-se “Quando Adão caiu e Eva o alcançou / Quem, foi, então, o cavalheiro?” e, à 285, “Quando Adão revolvera o que Eva sobrepusera / Qual dos dois cavalheiro era?” – desastre que a página 609 consegue piorar, ao trocar “era” por “fora” e “sobrepusera” pelo inexistente “sobrepora”. O lema revolucionário (e anarquista) original é: “When Adam delved and Eve span, / Who was then the gentleman?” Na versão lusa: “Quando Adão cavava e Eva fiava, / a fidalguia onde estava?” É uma triste ironia essa obra, que tanto se esmera para analisar o significado político e ideológico dos mais sutis vieses das versões da Bíblia em inglês, tenha sido tão deturpada por uma inepta tradução para o português.

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    John Edward Christopher Hill profile picture

    John Edward Christopher Hill

    John Edward Christopher Hill (Iorque, 6 de fevereiro de 1912 — 23 de fevereiro de 2003) foi um historiador marxista britânico. Sua produção está ligada à de um grupo de historiadores marxistas ingleses dos quais se destacam Eric Hobsbawn e Edward Palmer Thompson. A maior parte de sua pesquisa concentra-se na compreensão da Revolução Inglesa, ocorrida no século XVII.

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    John Edward Christopher Hill