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    O Desbravador - Uma aventura extraordinária

    Aydano Roriz

    Europa
    2015
    360 páginas
    12h 0m
    ISBN-13: 9788579603235
    Português Brasileiro
    4.1
    6 avaliações
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    O Desbravador narra a história de como uma família de judeus, três centenas de colonos cristãos e uns poucos criminosos degredados, com sangue, suor e lágrimas, desbravam uma floresta virgem nos trópicos selvagens. E em apenas 30 anos, a transformaram no maior produtor de açúcar do planeta. Tudo graças à liderança de um homem: Duarte Coelho. Um surpreendente personagem da nossa História, que poucos brasileiros conhecem. Baseado em fatos reais, descobertos em profundas pesquisas; devidamente temperados com doses da melhor ficção; no seu peculiar estilo bem-humorado e de leitura agradável, o autor compôs este romance épico, fascinante, divertido... uma aventura inesquecível.

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    Dêivisson J. Alves picture
    Dêivisson J. Alves04/09/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Desbravador by Aydano Roriz

    24/08 - 04/09 "Naquela terra de pecado, quente como seiscentos diabos..." É assim que começa esse romance histórico fantástico de um dos nossos conterrâneos Aydano Roriz. Baiano, criado em Salvador ele escreve vários romances que contam a história do Brasil. Nesse é contado a história de Duarte Coelho. Durante a escola, na pressão do Enem e nos livros didáticos vemos repetidamente esse nome, relacionado as Capitanias Hereditárias. Mas na pressa por continuar e nas poucas linhas dessas décadas perante os séculos deixamos passar despercebido. Duarte Coelho foi um dos dois donatários a obter sucesso na sua empreitada aqui no Brasil. Construiu uma cidade que nomeou Olinda, contruiu engenhos, lutou contra invasores e fez acordos e guerras também com as diferentes tribos de nativos. Para o bem ou para o mal esse empreendimento faz parte de nossa história e nos define como brasileiros, uma mistura de diferentes povos de todos os continentes, terra quente como os diabos, terra abençoada, terra onde tudo é possível, terra do Brasil. Seguem alguns trechos do livro: Se estás certo de chegar, para que apressares a viagem? Não existe desgosto, preocupação, nem peso de consciência, que o sono de um dorminhoco não consiga vencer. “O que pouco custa, menos se estima” “A vida é muito mais do que um brilhante interlúdio entre dois nadas”. Se títulos e bens são transmissíveis por herança, com o verdadeiro poder nunca é assim. O elixir da credibilidade não está à venda nas boticas. Confiança precisa ser construída. Conquistada. Oportunidades são como as águas de um rio: nunca passam duas vezes pelo mesmo local. Contra a má sorte, coração forte. Os homens tolos, e mais ainda os jovens em fase de instrução, gostam de se vangloriar da própria masculinidade. A medida da dor é coisa muito pessoal. Os outros só compreendem nossos sofrimentos por uma analogia muito vaga. E cada sofredor reage à sua maneira. Ações reais devem ser julgadas moralmente corretas segundo o poder de maximizar a satisfação, ou de minimizar a dor daqueles a quem afeta. Em todo o caso, como um cavalheiro que adotou a gravidade como base do caráter, o impulso final era sempre suplantado pelo senso de responsabilidade. Se fosse um colono qualquer… Não era. Afora o receio de vir a ser chantageado, afora temer escândalos, como capitão-donatário, era preciso ter cem vezes mais razão para não ser considerado culpado. À donzela honesta, só o homem certo faz a festa. Toda resolução é tomada num momento. Seja lá o que for que se pretenda, chega-se ao instante em que é forçoso decidir. A partir de então, quanto mais se alinham razões a favor e contra, o fatal “se eu quisesse mesmo” acaba por prevalecer. Ah, que tentação é recordar o sabor da volúpia! Afastando da mente as leis da prudência, desejoso de prazeres a qualquer preço, com o coração aos pulos, decidiu-se. Duarte, que a tudo assistia ao lado do pai, comportava-se com a discrição que convém a um moço bem-visto, benquisto, mas que conhece o seu lugar na hierarquia do tempo. Homens mais velhos não apreciam a intromissão de rapazes em seu meio. Se estimados, até lhes aceitam a presença. O bom senso, todavia, manda que os jovens demonstrem interesse, sorriam ou frisem as testas, quando for o caso, permanecendo, contudo, de bico calado. Questão de experiência. Frango é frango, galo é galo, e ninguém nunca soube de frango que tivesse ensinado galo velho a cantar. Duarte estava chocado com a crueza das palavras do pai. Chocado, conquanto agradavelmente surpreso. As naturezas fortes são sempre um tanto críticas. O universo dos homens parecia ter lá os seus mistérios, e ele, era forçoso admitir, mal e mal tinha posto os pés naquele mundo. Entre um inferno que um dia decerto acaba, e o fogo dos tormentos eternos, a primeira opção é sempre preferível. Os achaques morais têm uma imensa vantagem sobre as enfermidades físicas: curam-se instantaneamente com o fim do motivo que os fizeram nascer. Mas não viemos para cá, eu e as minhas gentes, em busca de riqueza fácil– continuou Duarte Coelho.– Acredito… ou melhor, acreditamos, que só o trabalho constrói. Trabalho duro e persistente. Alegres são as chegadas. Despedidas costumam ser tristes. Nada como a promessa de riqueza para exacerbar a cobiça nos homens. O coração feminino é sempre generoso com um homem ridículo por amor. Para alguns homens, que nos seus verdes anos priorizaram escolhas medíocres, a idade madura, os quebrantamentos do corpo e do vigor físico, não deixam de configurar um esquisito alento. Se, na maior parte da vida, se sentiram um pouco invejosos dos afoitos e bem-sucedidos, os primeiros cabelos brancos são para eles como uma coroa de louros. Encaram a proximidade da velhice como ascensão a uma categoria superior, arquivam definitivamente os sonhos e passam a viver de reminiscências. Para outros, o pratear dos cabelos é uma indicação de que a vida entrou em curva descendente e é preciso aproveitar o que lhes resta de tempo. No anseio de deixar no mundo uma marca qualquer, os desejos da mocidade voltam com mais força e, não raro, se deixam arrastar a todo tipo de ridículos. Existe, todavia, um terceiro tipo de homens maduros, que mal conseguem se enxergar com a idade que têm. Sabem que o ocaso está logo mais à frente, conquanto se esforcem para encará-lo como a linha do horizonte, à qual, por mais que se ande, nunca se chega. Assim, ao sabor dos seus humores, ora rebelam-se contra o inexorável, ora conciliam o que parece inconciliável. Às vezes demonstram o ímpeto e a ousadia dos jovens, outras a sabedoria e a prudência dos anciões. Críticos por excelência, não deixam de julgar estranho o próprio comportamento. Em contrapartida, conseguem confundir a todos, a maior parte do tempo. Todas as mulheres gostam de se sentirem amadas. E se tal sentimento tem a ver com atenções e gestos de carinho, parece que, ainda mais forte, são os prazeres físicos que possam advir daí. Diz o populacho em sua vulgaridade: “mulher bem-comida, mulher cativa”. Sábio aforismo. “É melhor perder tentando ganhar, que estar certo de perder sem fazer coisa alguma” “Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré”. Dinheiro faz milagre (...) Desapontamento dos que arquitetam fantasias e deparam-se com realidades que decepcionam. “Podes lá ser rei, mas cagas, mijas, peidas; não és melhor do que eu”.

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