O Egípcio (Clássicos Modernos #38) -

    Mika Waltari

    Abril Cultural
    1975
    475 páginas
    15h 50m
    ISBN-10: 8531900573
    Português Brasileiro

    O EGÍPCIO é a reconstituição total de uma era até hoje não devassada pela ficção, e como tal, enriquecem-na veias túmidas de fascinante erudição. Inteiramente autêntica, está escrita num estilo literário de que pouquíssimas novelas históricas podem gabar-se. Passa-se no Egito, mais de um milênio antes de Cristo, e abrange tudo do mundo conhecido de então. Vem narrada por Sinuhe, médico do Faraó, e é a história de sua vida. Desfilam inúmeros personagens, descritos com perfeição, alguns dos quais dificilmente serão esquecidos: Horemheb, o general do Faraó, que dirigia sua carruagem sobre mulheres, crianças e velhos das terras conquistadas; Neferne-fernefer, com quem as modernas irmãs do pecado jamais poderiam competir, Minea, a virgem votada aos deuses, dançando nua diante dos touros sagrados, a rainha Nefertiti, cuja beleza física era perigosa em demasia por estar combinada com a malícia e a inteligência aguda, o escravo Kaptah Kaketamon, a bela irmã do Faraó Akhnaton. Intriga, morte, guerra, paixão, amor e luta religiosa são contados, enquanto Sinuhe vai revelando sua vida, ora radiante, ora desesperançada. Há grandeza impressionante em “O EGÍPCIO”, amplo rasgo do romance verdadeiramente de primeira classe, o triunfo assombroso de uma grande imaginação criadora, uma obra épica magnífica. É um livro que o entreterá por várias horas, deixando-o em suspenso, possuído de um encanto que jamais será esquecido.

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    Leila de Carvalho e Gonçalves 17/07/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    No Tempo Dos Faraós

    Mika Waltari (1908-1979) é o maior escritor finlandês. Entre seus sete romances históricos, O Egípcio destaca-se como o mais conhecido e já foi traduzido para mais de 40 idiomas. Abordando a corrupção e a decadência dos valores morais, esse livro foi publicado em 1945, no final da Segunda Guerra. Indubitavelmente, uma ocasião bastante propícia, porém, a atemporalidade do tema mantém o interesse e garante frescor à narrativa. Mediante um exaustivo trabalho de pesquisa, Waltari se inspirou numa das obras mais populares da literatura do Antigo Egito, Aventuras de Sinuhe, um funcionário da corte que teria vivido no tempo dos faraós da XII Dinastia e cujos relatos de viagem forneceram a mais antiga descrição sobre a Síria e a Palestina. No entanto, o autor resolveu transferir sua história para a XVIII Dinastia, particularmente, para a época do Faraó Amenófis IV, um importante período da história da Antiguidade. Seu protagonista também se chama Sinuhe e é um médico. Já velho, ele vai contando sua vida, desfiando um rosário de intrigas, mortes e guerras, entrelaçadas a uma boa dose de ódio e paixão. A narrativa mescla ficção e realidade e eviscera com crueza o dia a dia dessa misteriosa civilização, aliás, o escritor é mestre na reconstrução do passado: O Anjo Negro, considerado sua obra-prima, exibe um importante retrato da Queda de Contantinopla em 1453. O Egípcio foi adaptado para o cinema em 1954, mas o filme, dirigido por Michael Curtiz, deixa muito a desejar. Merece destaque apenas a atuação de Peter Ustinov como Kaptah, o servo do protagonista. Finalmente, essa história marcou profundamente minha formação como leitora. Foi uma divisora de águas entre as adaptações dos clássicos para o público infanto-juvenil e os policiais de Agatha Christie que marcaram minha adolescência. Cinco estrelas e das mais saudosas.

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