[Resenha completa no blog The Nerd Bubble]
Nossa história começa com um prólogo cheio de ação, onde vemos a fuga da Rainha Rosaria, deposta de seu cargo após a morte de seu marido (Albert Seres, o Rei de Willford, um dos reinos dos humanos) por ser uma feiticeira. Perseguida por humanos e um grupo de feiticeiros perversos, Rosaria toma uma atitude desesperada para salvar a vida que mais lhe importava - a de sua filha ainda bebê, Kaira - e ainda impedir a continuidade da Grande Guerra, embora ninguém saiba o que realmente aconteceu com ela ou o motivo da guerra ter sido interrompida.
15 anos depois, Kaira vive em Kisha, uma pequena vila dos feiticeiros de Fogo, com seu avô e irmã adotivos, Sahir e Adill, que são também seus professores de Magia e História. Embora ela tenha uma vida tranquila e cheia de brincadeiras e pequenas aventuras (frequentemente ocorridas no período que deveria estar em sala de aula), sua paz logo será interrompida, pois a frágil paz entre humanos e a República dos Feiticeiros está no fim e apenas Kaira, com a ajuda de seus velhos e novos amigos, tem a capacidade de reunir os 5 clãs mágicos - Fogo, Água, Terra, Metal e Ar - em um exército único que seja páreo para os bem equipados exércitos de Willford. Será ela capaz de completar tão importante missão?
Com esse enredo, que tentei mostrar com o mínimo de spoilers, a autora nos leva por boa parte do reino criado por ela - que, aliás, é muito bem construído -, usando um narrador em terceira pessoa para nos mostrar ambos os lados da Guerra: os humanos e os feiticeiros, que se odeiam mutuamente e consideram o grupo rival monstros desalmados. Com o passar das páginas, descobrimos a origem desse ódio e rancor, além de vários outros segredos por trás da Grande Guerra, e entendemos a grandeza e dificuldade da tarefa de Kaira e seus amigos.
Vamos aproveitar e falar um pouco sobre os personagens: Kaira é uma grande feiticeira do Fogo, com nenhuma paciência para as aulas teóricas e muita vontade de colocar seus poderes em prática. Apesar de talentosa, ela é uma guria inocente de 15 anos, que nem imagina a importância que tem para o mundo inteiro, mas que aceita seu fardo quando ele lhe é imposto (não que ela tivesse muitas opções). Ela é uma personagem coerente, com seus defeitos e inseguranças, e simpatizei com ela de cara, principalmente porque tenho uma (enorme) queda por manipuladores de fogo (não é a toa que todas as protagonistas dos meus livros - inacabados - têm esse dom). Mesmo assim, minhas personagens favoritas são a professora Adill - também feiticeira do Fogo e grande estrategista - e Christine, feiticeira da Água e um prodígio entre o seu povo. Ainda que as duas sejam minhas favoritas, todos os personagens são bem construídos, verossímeis e consistentes, três características bem importantes. Dentre os humanos, gostei muito da Rainha Yukiko - mais prisioneira que regente - e Aramis, um jovem Conselheiro estrangeiro, que vem a Alzoria (capital de Willford) atrás de respostas e justiça.
No lado negro da Força, o principal vilão humano é totalmente enojante, irritante e asqueroso - e covarde, muito covarde. Há também o grupo dos Falcões Negros, feiticeiros espetaculares e ambiciosos, que dão bem mais medo que o humano. Apesar do poder dos Falcões e do exército poderoso de Willford, a maldade de ambos os lados se concentra na manipulação e na corrupção.
Mudando de assunto antes que eu fique falando para sempre dos personagens, a escrita da M. V. Garcia é muito gostosa de ler; é como se a autora tivesse transformado um anime em livro, o que, para um amante dos quadrinhos e animações japonesas como eu, faz da leitura algo ainda mais divertido e instigante. Uma vez ou outra, as situações ficaram um pouco exageradas e descobri alguns mistérios antes do que deveria, mas nenhum desses dois fatores atrapalha a coerência da história ou a diversão. A linguagem é agradável e não encontrei muitos erros de digitação ou ortografia (o que seria bem aceitável, já que o exemplar da book tour não era a versão final do livro). O final é digno de Rick Riordan, já que nos deixa BEM NO MEIO DE UMA CENA VITAL e nos faz ansiar pelo próximo livro.
Sem mais delongas, recomendo este livro a leitores de todas a idades (mas especialmente adolescentes e jovens adultos) que gostem de uma boa história de Alta Fantasia com grandes doses de humor e amizade - e pancadaria, porque tudo que é bom tem que ter pancadaria.