Apesar do título, esse opúsculo trata mais da aplicação das formas de expressão do direito, vulgarmente conhecidas como fontes do direito, do que propriamente da interpretação das normas jurídicas.
As partes de que mais gostei foram as que trataram sobre aplicação do costume, da jurisprudência e da doutrina.
Eu gostei de sua parte sobre aplicação da lei e sobre direito consuetudinário. No entanto, a parte sobre aplicação da jurisprudência envelheceu mal, chega a ser anedótica a oposição do autor à jurisprudência formar norma geral, tendo em vista o poder obtido pela Suprema Corte e tribunais superiores com a Constituição de 1988. A parte sobre direito científico é valiosa por ser pouquíssimo abordada hoje em dia, e sobretudo sua proposta de regras para uso da doutrina é muito interessante.
O apêndice é bom e eu concordo com o autor de que as fontes do direito são na verdade formas de expressão do direito mesmo, mas ele inova demais e certas ideias simplesmente não pegaram apesar da aparente segurança com que as defende.
Ainda assim, o livro é sintético demais, segue autores sem explicações nem fundamentos, pontifica sem explicar, parece mais lei do que doutrina.
Tem algumas observações interessantes, sobretudo de ordem histórica, só que em muitas partes o autor não desenvolve suficientemente seu argumento, de modo que o tom é por demais dogmático em vários momentos.
Desse modo, é um livro no geral regular com partes boas, sobretudo as que tratam do costume e da doutrina.