Sete Ventos (01 #01)

    Débora Almeida

    Autografia
    2015
    110 páginas
    3h 40m
    ISBN-13: 9788555262722
    Português Brasileiro

    Mito humanizado? Como perceber a manifestação de um mito em nosso cotidiano? A deusa que trabalha, que ama, se alegra ou entristece? Sete Ventos traz personagens baseados em depoimentos de mulheres negras e em Iansã, orixá feminina dos raios e ventos, relacionando ancestralidade e realidade. A personagem Bárbara conta e revive a sua história e as de mulheres que a influenciaram. Sete mulheres, sete qualidades de Iansã, a percepção da essência do mito a partir da expressão de cada mulher.

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    Dawton Valentim21/04/2018Resenhou um livro
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    Eparrei, Oyá!

    Sete Ventos, Débora Almeida. Editoria Autografia: Rio de Janeiro. 2015. 110 p. ❝Eu perdi... Eu perdi... Eu perdi o meu espelho. Eu perdi o meu espelho e agora não sei mais quem eu sou, como eu sou. Eu saio na rua procurando os meus pares, mas não encontro quem possa contar a minha história. Quem possa me dizer como eu sou, quem eu sou. Eu me sinto como uma cega que precisa dos outros pra se enxergar❞ (p. 28). Sete Ventos é uma peça teatral, encenada, dirigida e produzida pela atriz Débora Almeida. No palco (e no livro), Débora dá vida, voz e corpo a um texto que, por meio da experiência da mulher negra, da infância à velhice, evoca questionamentos tão atuais quanto necessários. Assédio, racismo, desigualdade social, discriminação religiosa, relações abusivas de trabalho, história afrobrasileira e uma série de inquietações que espetam os espectadores e os conduzem a uma reflexão sociocultural forte. Ao longo da peça, Bárbara (a protagonista), escritora e filha de Iansã, passa para o público a voz e a história de diferentes mulheres negras que guiam suas reflexões. Sua avó, sua mãe, sua filha, sua irmã, sua orixá dão eco à declaração de Débora Almeida que diz "a história de uma mulher negra nunca é só de uma mulher negra". Doutora Samara, irmã de Bárbara, é, sem dúvidas, a personagem que mais me cativou. Desbocada e desafiadora, Samara contava que sua meta era empretecer o Leblon, bairro rico do Rio de Janeiro, quando alguém gritou "Aldeota!", bairro rico de Fortaleza. Samara respondeu enfaticamente: "Olha, meu amor, eu sou do Rio de Janeiro, mas a gente pode empretecer a Aldeota também! Mas morando no alto! E não é no morro não, é na cobertura!". ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Eparrei, Oyá! Marielle presente!

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