Caramuru (1781) de Frei Santa Rita Durão é uma obra atrelada na historiografia literária ao arcadismo no Brasil. Escrita por entre a tradição de um poema épico (tendo como referência Camões), trata de Diogo Álvares Correia, um náufrago lusitano, transformado em líder dos indígenas tupinambás, na Bahia; e Paraguaçu, uma indígena catequizada e par romântico de Diogo, conhecido também por Caramuru (filho do trovão). De um viés bem colonizador, tomando o índio como selvagem, o cristianismo aqui é assumindo como instrumento de poder e de dominação tanto para a conversão dos indígenas em um ser "humano" como tomar as terras desse novo mundo. Aliás, o olhar colonizador é tanto que Paraguaçu é retratada como uma jovem de características brancas, assim como domina o idioma português (e muito bem pois torna-se a tradutora rs); outrossim, somente uma nativa com traços europeus atrai o protagonista, que lhe é fiel mesmo que várias outras mulheres indígenas queiram-lhe. Outras várias questões podem ser levantas nessa obra, permitindo discussões historiográficas e sociais do Brasil Colônia, como também serve para discutir a Literatura nacional em seus primórdios e a concepção de um poema épico aos moldes de Os Lusíadas. Por fim, uma leitura difícil e datada, mas que serve como base para entender e perceber o olhar colonizador e eurocêntrico para com os indígenas no Brasil Colônia.





