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    Maria de Cada Porto (Coleção Prestígio) -

    Moacir C. Lopes

    Ediouro / Tecnoprint S. A.
    2000
    190 páginas
    6h 20m
    ISBN-10: 8500107081
    Português Brasileiro
    4.3
    18 avaliações
    Leram27Lendo4Querem29Relendo0Abandonos3Resenhas1
    Favoritos2Desejados29Avaliaram18

    Além de narrativa fluente, com intensa carga dramática, Maria de Cada Porto é um romance crítico e realista, onde o autor analisa de modo penetrante a vida da marujada. Com sua prosa envolvente, entrelaçando o presente e o passado, Moacir C. Lopes cria uma atmosfera mental, que substitui a convenção cronológica do tempo e imerge a todos, personagens e leitores, num clima de cálida e constante intimidade, como se de longa data já se houvessem conhecido.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Luiz Pereira Júnior picture
    Luiz Pereira Júnior04/01/2026Resenhou um livro

    Uma pérola esquecida...

    Enganei-me redondamente ao comprar o livro por causa do título. Pensei que “Maria de cada porto”, de Moacir C. Lopes, seria uma história passada em bordeis, retratando a vida de prostitutas e suas misérias de todos os dias. Note-se que a primeira edição da obra é de 1959. Eis o resumo, como sempre faço em minhas resenhas: o narrador, Delmiro, um marinheiro (o autor foi marinheiro na vida real e foi combatente na Segunda Guerra), sofre o naufrágio do “Bahia” (que aconteceu realmente – pelo que pesquisei, mais de 300 marinheiros morreram nesse desastre) e se vê em uma das balsas que aguardam resgate. Enquanto tenta sobreviver e vê os companheiros morrendo a cada dia de fome, de sede, de insolação e por causa dos ferimentos, Delmiro rememora o seu passado e seus amores, assim como conta como é a vida na Marinha, passando por prazeres em bordeis, passeios nas zonas baixas de várias cidades brasileiras, relatos de casos amorosos (alguns chocantes para o pensamento atual), bebedeiras, atos de violência e, talvez o que seja mais importante, um importante relato de como foi a vida nas cidades que serviram de bases americanas durante a Segunda Guerra Mundial – período esse que raramente é estudado ou retratado em algum livro científico ou obra literária. Usando técnicas de composição como flashbacks, alternância entre focos narrativos, análise psicológica e subtramas, Moacir Lopes prende a atenção do leitor, mas sem cair jamais na vulgaridade ou no apelo fácil para as lágrimas e muito menos em uma narrativa simplória, superficial, fútil. E, perdoem-me a sinceridade, é mais um exemplo de como a literatura brasileira de grande valor se torna tão pouco valorizada em meio a tantos lançamentos simplórios, superficiais, fúteis...

    1 curtida

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    Avaliações

    4.3 / 18
    • 5 estrelas61%
    • 4 estrelas11%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
    Moacir Costa Lopes profile picture

    Moacir Costa Lopes

    Ficou órfão poucos dois anos depois do seu nascimento. Seu pai, Delmiro Lopes da Costa, faleceu em 1929. Sua mãe, Odete Oliveira Costa, morreu de tuberculose em 1938. Moacir residiu, com seus irmãos, em Baturité com um tio e, depois, em Fortaleza. Nessa época, lia compulsivamente literatura de cordel e outros folhetins.1 2 Em 1942, Moacir ingressa na Escola de Aprendizes Marinheiros do Ceará. Na Marinha, especializa-se em tática anti-submarina e radar. Viaja por toda a costa brasileira e por vários países como Uruguai, Paraguai, Argentina, República Dominicana, Cuba e Estados Unidos. Em todos os navios em que servia criava uma biblioteca com doações. Entusiasma-se pela literatura e escreve diariamente.1 Desde 1944, Moacir mantinha residência no Rio de Janeiro. Em 1946, Luís da Câmara Cascudo lhe sugere escrever sobre a vida dos marinheiros. Já em 1949, Moacir iniciava a escrita de seu romance Maria de cada porto, que seria publicado em 1959. Era apenas o início de uma vasta produção literária. Dá baixa da Marinha de Guerra em novembro de 1950. Passa a trabalhar no comércio. Casa-se pela primeira vez em 1954. Nascem as filhas Cristina e Clarice. Maria de cada porto lhe rende os prêmios Coelho Neto, da Academia Brasileira, e Fábio Prado da União Brasileira de Escritores. Em 1964 publicou seu romance A ostra e o vento, que despertou grande interesse no meio acadêmico. Em 1976, a história de Marcela foi publicada junto com a novela Relato de um náufrago, de Gabriel Garcia Marquez. Em 1997, teve o seu romance A ostra e o vento adaptado para o cinema, tendo como diretor Walter Lima Júnior, recebendo o mesmo título. Em 2000, este romance foi traduzido para o italiano com o nome L'ostrica e il vento por Gian Luigi De Rosa. Participou, como colaborador, da Enciclopédia Delta Larousse. Fez traduções do Inglês. Lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Faculdade Hélio Alonso. Em 1969 fundou a Editora Cátedra. Depois casou-se pela segunda vez com a escritora Eduarda Zandron. Nascem seus filhos Fábio e Saulo. Em 1978, foi organizado um Simpósio sobre toda a sua obra na Universidade do Arizona. O evento contou com sua presença. Em 2000, a Casa de Cultura Lima Barreto e o Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro publicaram o livro "Moacir C. Lopes e sua obra: 40 anos de literatura", que, além de informações biográficas, reúne comentário de críticos diversos sobre sua obra. A partir de 2001, seu amigo e agente literário Andrey do Amaral cuida de sua obra, divulgando-a na imprensa e organizando palestras com o romancista dos mares. O site oficial do autor é www.moacirclopes.com.br Com todo vigor dos seus 82 anos, o romancista dos mares continua em plena produção literária. Seu agente, a mídia e entidades do livro comemoram seu cinquentenário literário (2009) com muito louvor. Moacir ainda tem alguns títulos inéditos. E os leitores estão ansiosos. Moacir faleceu a 21 de novembro de 2010 em decorrência de um câncer. Seu agente literário Andrey do Amaral, seu editor Glaucio Cunha, sua família, amigos e leitores continuarão a divulgar a belíssima obra de Moacir Costa Lopes (1927-2010). Seus títulos são publicados pela Quartet Editora.

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    Ceará, Brasil

    Moacir Costa Lopes