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    Um amor feliz - Seleção, tradução e prefácio de Regina Przybycien

    Wislawa Szymborska

    Companhia das Letras
    2016
    328 páginas
    10h 56m
    ISBN-13: 9788535927887
    Português Brasileiro
    4.3
    514 avaliações
    Leram719Lendo70Querem655Relendo0Abandonos7Resenhas59
    Favoritos106Desejados655Avaliaram514

    Reunião de poemas da autora que seduz leitores no mundo todo graças à inteligência afiada, ao lirismo cheio de ironia e à observação da vida cotidiana. Quando, em 2011, a Companhia das Letras lançou Poemas, o primeiro volume com a lírica da poeta polonesa Wislawa Szymborska (Prêmio Nobel de literatura em 1996), começou uma verdadeira "febre Szymborska" no Brasil: ótimas vendas, esplêndidas resenhas e uma enorme repercussão garantiram um novo e amplo público para essa poesia que fala diretamente com o leitor. A obra de Szymborska equilibra-se entre o rigor e a observação dos fatos, sempre num tom levemente informal - a despeito da cuidadosa construção dos versos. Falando de amores e da vida cotidiana, a escritora ergueu uma obra que toca os leitores e influencia novas gerações. Este segundo volume promete fazer tanto barulho quanto o primeiro.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo24/07/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A poesia das incertezas

    Um dos lugares-comuns que mais me agrada quando tentamos definir como a poesia funciona é aquele em que se diz que para se aventurar neste gênero é preciso sentir algo ao ler os versos que estão na nossa frente. E é verdade. Apesar disso, para mim a poesia é, sobretudo, identificação. Este é o segundo livro da Wislawa Szymborska que leio. Diferentemente de “Poemas”, antologia que traz na capa a maravilhosa foto em que ela está mais velha e fumando, além de ter a lombada e os detalhes em tom vermelho, este “Um amor feliz” me pareceu uma seleção mais ampla da potência da voz desta gigante polonesa - e olha que a minha infiel memória guarda melhores impressões do nosso primeiro encontro. Em “Um amor feliz”, os leitores podem acompanhar com clareza as mudanças de temas e interesses da poetisa. Meus poemas preferidos ficam, em sua grande maioria, na parte final do livro, mas nada impede que algumas preciosidades tenham chamado minha atenção durante o percurso. É o caso do magnífico “Nada duas vezes”, que aborda com uma simplicidade invejável o absurdo da finitude, e dos irônicos “Atlântida”, em que o eu lírico brinca com o mistério da famosa ilha perdida, e “Concurso de beleza masculina”, em que o jogo de palavras dispostos nos versos satirizam uma masculinidade que preza pela virilidade. Aliás, a ironia é uma aliada recorrente na criação dos versos da autora, como mostram os divertidos “Riso”, onde há uma conversa imaginária entre as versões jovem e madura de uma mesma Wislawa, e do poema homônimo que dá nome à coletânea, onde a poetisa questiona a utilidade de um amor feliz num mundo tão imperfeito. Para não me estender ainda mais, destaco também os políticos “Campo da fome em Jaslo”, “Sorrisos” e “O ódio”, mostrando que poetas não estão livres do fardo da consciência social, como muitos imaginam. Laureada com o Nobel de Literatura em 1996, Wislawa Szymborska é uma poetisa completa. Ela compreende com uma beleza imensurável o mundo dos detalhes tão bem quanto compreende o mundo superficial que nos abriga. Seu olhar pode escolher um besouro, uma planta ou objetos inanimados e deles extrair o mais inimaginável resultado. É a arte dos versos. Algo que chamou a minha atenção foi a já mencionada preferência pelos poemas mais novos da autora numa seleção que compreende livros produzidos de 1957 a 2012. Aqui, quero citar aqueles que estão entre os meus preferidos e que valeram a minha leitura do livro por serem mais acessíveis e menos herméticos ou abstratos. Para os mais curiosos, cabe também uma rápida degustação através de uma pesquisa na internet. São eles: “Cálculo elegíaco”, “Grande sorte”, “O silêncio das plantas”, “O primeiro amor”, “Ausência”, “ABC”, “O velho professor”, “Desatenção”, “Aqui”, “Vida difícil com a memória”, “Divórcio”, “Metafísica”, “Tem aqueles que” e “Para o meu próprio poema”. Vale ressaltar que a edição bilíngue da Companhia das Letras traz ainda o discurso dela ao ganhar o prêmio Nobel, que é um deleite para qualquer um que aprecie literatura e finaliza o livro com uma sensação de esperança que somente a sensibilidade de uma mulher extraordinária poderia ter. Nele, Wislawa reflete sobre a importância do não saber para os poetas. É uma decisão acertadíssima da editora pois, como iremos concluir com a autora, o que seria do mundo sem os poetas das incertezas?

    101 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 514
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
    Wisława Szymborska-Włodek profile picture

    Wisława Szymborska-Włodek

    Wislawa Szymborska (Kórnik, 2 de Julho de 1923) é uma escritora polonesa. Destacou-se como poetisa com uma obra que tem como tema as vicissitudes da Polônia moderna. Emprega uma linguagem simples e coloquial, herança do realismo social que dominou a Europa oriental, mas sua modernidade se revela no tom irônico e na complexidade formal de muitas de suas poesias. Recebeu o Nobel de Literatura de 1996.

    15 Livros
    110 Seguidores
    Poznański, Polônia

    Wisława Szymborska-Włodek