"- O problema com a morte – disse ela a Jennie uma vez – é que você não pode ver como tudo acaba. Não sabe o fim.”
Se existe algo que eu gosto muito é olhar fotos antigas da minha família. Elas abrem janelas no tempo e estimulam minha criatividade para pensar como era a vida naquele momento, o que essas pessoas pensavam e como enxergavam a vida. Cada foto vira um recorte da História. Quantas pessoas também não pensam assim?
Escrito pela vencedora do pulitzer Anne Tyler e publicado em 2015, “Um carretel de linha azul” conta a história dos Whitshank, uma família norte-americana comum e absolutamente normal que vive em Baltimore. E é isso. Quando digo normal, digo normal mesmo, dentro do senso comum. Não tem uma reviravolta mirabolante, um plot twist revolucionário. Nada disso.
Quando terminei “Um carretel de linha azul” a primeira imagem que veio à minha mente foi a de um móvel com muitos porta-retratos. Fotos antigas e mais recentes de uma mesma família e que são peças que unidas contam uma história. A sensação é que Tyler montou seu livro da mesma forma. Se no primeiro momento o foco é em Red, Abby e seus filhos (com destaque para o “problemático” Denny), em alguns momentos o livro apresenta os pais de Red mais novos, depois um pouco mais velhos. Tudo de uma forma natural, como se nós estivéssemos conversando com alguém que conta a história de sua família através de retratos.
Apesar de não ser o principal romance da autora, “Um carretel de linha azul” foi finalista do Man Booker Prize e chegou a ser best-seller do New York times. Provavelmente porque consegue prender nossa atenção mesmo na normalidade, em uma forma de escrever deliciosa e fluída. Escolhi conhecer Anne Tyler por essa obra e foi uma experiência gostosa, sem cobranças, sem altas expectativas, como um fim de tarde de outono, tomando um café e olhando fotos antigas da família.