História interessante que mistura realismo e fantasia de modo irregular.
Se muito, representa o selvagem preconceito popular diante do bizarro: Zacarias, mandrágora mirrada e disforme, é encantado pela fada Rosabelverde e, apenas por isso, consegue fazer com que todos o admirem incondicionalmente.
Quando o apaixonado e romântico Baltasar consegue quebrar-lhe o encanto com a ajuda do poderoso mago Próspero Alpano, ninguém mais vê glória alguma no vaidoso "Cinabre" (como se apresentava) - pelo contrário, execram-no à completa repulsa.
Como se pode ver por essa superficial sinopse, o autor de fato evita sutilezas. As situações são sempre extremadas, o que dificulta o reconhecimento de profundidade espiritual.
No final, a fada Rosabelverde (Rosabela), junto ao leito de morte de Cinabre, lamenta que ele não tenha aproveitado o encantamento que lhe concedera para ter uma vida mais digna e menos vaidosa. A situação dada, contudo, não permitia tal nuança: afinal o protagonista era descrito, na prática, como o mais horrendo monstro, e o encantamento fazia dele o melhor político, o melhor poeta, o melhor cientista, o melhor músico...