Gato e rato -

    Günter Grass

    Labor
    1976
    139 páginas
    4h 38m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Com um olhar retrospectivo lançado ao ano de 1959, Pilenz conta-nos acerca do admirado e desprezado colega de turma Mahlke, na Danzig dos tempos da guerra, cuja maçã-de-adão maior do que o normal faz dele uma espécie de figuar à margem. Mahlke era seguido, amado, invejado pelos seus colegas do liceu pela sua estranha postura em relação a Deus, à Virgem Maria e pela chave de parafusos que traz ao pescoço. Mahlke trava um combate desesperado pela sua integração, pela colmatação da brecha existencial entre Gato e Rato, e acabará por, na vitória, falhar. É uma obra que através do choque de um adolescente com o meio hostil do liceu representa uma crítica à sociedade nacional-socialista dos tempos da guerra.

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    Lucas Aparecido Mota05/09/2023Resenhou um livro
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    Alegórico demais

    De início, é importante ressaltar que li esse livro em uma tradução para o português lusitano. Parece bobeira, mas traduzir do alemão para o português brasileiro é tarefa árdua, no lusitano, então, parece que piorou. Talvez por isso, as peripécias de Mahlke não tenham me chamado tanto a atenção. Em suma, achei um livro insosso, muito alegórico e de difícil leitura. Custa para entender algumas ironias e metáforas do autor... ou talvez me falte maturidade intelectual para compreendê-la também, vai saber... A história se passa em 1959, com Pilenz, o nosso narrador/não narrador contando a história de como conheceu Mahlke, na cidade-livre de Danzig, durante a segunda guerra mundial. Entre momentos de amizade e momentos de distanciamento, conhecemos um personagem que tem o pomo-de-Adão gigantesco como sua marca, além de sua devoção à Virgem Maria e outros trejeitos que tornam Mahlke um cara caricato. Conhecemos um pouco de sua trajetória no Liceu, onde estudava com o narrador/não narrador e alguns outros personagens que surgem nesse período. Vemos a ascensão do discurso nazista e a ida do jovem para a guerra, que lhe causará, quiçá, alguns traumas cuja cura talvez apenas se consuma ao reviver seus longos mergulhos em um draga-minas polonês abandonado, por onde gostava de mergulhar e buscar relíquias. Sendo honesto, acredito que a tradução colaborou para não gostar desta obra. Mahlke e Pilenz são bons personagens, até o padre também tem lá sua importância (e rende um trecho maravilhoso de Pilenz sobre sua mão ligeira), porém, em suma, o livro acaba se tornando desgastante, ainda que curto (pouco mais de 150 pg). Não recomendo para um iniciante na leitura, é bem difícil de compreender tudo que Grass escreveu. Leria de novo? Talvez, em uma década, quem sabe até lá amadureço mais. Leria outro de Grass? Com certeza. Um vencedor do Nobel deve ser lido, ainda que minha opinião pouco se valha frente a de seus contemporâneos que lhe laurearam.

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