“Realmente, não há nada no mundo mais nu que um esqueleto.”
Este foi o quarto livro de José Saramago que li e foi também o que menos gostei. E não creio que tenha iniciado a leitura com as expectativas demasiado altas, como podia pensar que tivesse acontecido. De todo.
Não gostei do caminho que a história levou, nem tão pouco da divisão em duas partes que bem podiam ser duas histórias sem qualquer relação entre elas. Para além de que a trama, por vezes, parece entrar em loop. Nessas alturas, as repetições sucedem-se e a leitura torna-se aborrecida (muitas foram as vezes que após as primeiras 10 páginas de leitura, já tinha o João Pestana a querer fechar-me os olhos).
Gostei das questões sociais e políticas que o autor aborda na primeira parte do livro e nessa altura encontrei o tipo de escrita de José Saramago que tão bem o caracteriza e que muito me agrada. A partir do momento que a personagem morte (com “m” minúsculo, como a própria prefere ser referida) entra em jogo, todas as questões sociais e políticas anteriormente abordadas são esquecidas e a trama segue um outro rumo que não me arrebatou.