“É bem certo que as palavras nunca estão à altura da grandeza dos momentos.”
O que fazer quando seu mundo está a deriva? Nessas páginas encantadoras, Saramago tece com profunda sensibilidade um retrato sobre o sentido da Busca. Da mais improvável das rupturas, a iminência de uma tragédia. E quem dirá que nunca, ao sentir a terra tremer e o céu rodopiar após uma separação, questionou-se a si sobre si? Perdidos (e, talvez por isso, finalmente livres) esses personagens, esses países, essas culturas se questionam e buscam (estradas possíveis de um destino irremediável) por identidade, propósito e redenção. Lendo este livro aprendi que, de certa forma, também me questiono e busco. Nos descaminhos de uma Ibéria em extinção, reconhecemos um pouco daquilo que habita em nós mesmos e que, improvável como uma jangada de pedra, ainda insiste em navegar. Como canta Humberto Gessinger: "Meu coração é um porto sem endereço certo, é um deserto em pleno mar."






