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    Valquírias - Antologia

    Anelise Vaz, Day Fernandes, Mayara Barros, Deborah Mundin, Rúbia Dias

    Darda
    2016
    132 páginas
    4h 24m
    ISBN-13: 9788567673660
    Português Brasileiro
    4.2
    13 avaliações
    Leram18Lendo2Querem17Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos5Desejados17Avaliaram13

    O gênero fantástico possui seus alicerces nas mitologias de diferentes culturas e períodos históricos. É a partir do mito e da contemplação do inexplicável que surgem as lendas, a fantasia. Em todas as mitologias, a participação feminina se mostra presente, na forma de deusas, seres mitológicos, rainhas ou guerreiras. É o caso das Valquírias, deidades responsáveis por conduzir os mais dignos aos salões do Valhalla. Apesar disso, por muito tempo o gênero fantástico foi visto sob uma ótica estritamente masculina. Criou-se um tabu de que as mulheres não pertencem ao universo da capa e da espada. Mas as coisas estão mudando. Protagonizado por mulheres e escrito por autoras, Valquírias tem como proposta reunir a voz feminina dentro da fantasia, um gênero ainda carente em representatividade.

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    Luciana Darce picture
    Luciana Darce09/02/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Perto do início do ano passado, a Fernanda, também conhecida como dona Traça, lá do The Bookworm Scientist, anunciou que estava organizando uma antologia de contos de fantasia na qual as histórias seriam escritas e protagonizadas por mulheres. O livro foi batizado de Valquírias, em referência às deusas da mitologia nórdica, responsáveis por levar os guerreiros tombados em batalha para o Valhalla, onde aguardariam a grande batalha no dia do Ragnarok. Aí que decidi participar com uma história e acabei tendo um conto selecionado. Após muito trabalho, muitas revisões e um longo trabalho de edição, agora em janeiro o livro foi publicado. O evento de lançamento oficial foi dia 05 de fevereiro, e era para ter publicado essa resenha na ocasião, mas acabei me atrapalhando um pouco com os prazos e só agora consegui me sentar para escrever. Há um preconceito com autoras mulheres, a sugestão de que elas só sabem escrever romance água com açúcar. E, se por um lado, não há nada de errado sobre romances água com açúcar, por outro, esse tipo de limitação é bem ridículo. Como bem dizem por aí, lugar de mulher é onde ela quiser, incluindo aí escrevendo fantasia. E antes que digam qualquer coisa sobre essa noção estar ultrapassada, é bom lembrar que a mais bem paga autora do gênero (talvez de toda literatura), assinou seus livros apenas com suas iniciais justamente para que ninguém decidisse passar direto pela prateleira ao ver um nome feminino na lombada. Sim, estou falando de J. K. Rowling. Dar voz às mulheres, como muito bem observa Aline Valek no prefácio de Valquírias faz parte de um contexto maior, não apenas na Literatura, mas na própria História - o que, aliás, é abordado em vários dos contos da antologia, como o Se as bruxas não lutam, elas queimam, que já me conquistou pelo título e trata de um grupo de mulheres num universo medieval desejando conhecimento - aprender a ler, escrever, contar; Skuld assiste a uma batalha, em que uma das valquírias desafia os códigos de honra de homens e deuses para premiar aquilo que ela enxerga como bravura; Aquilo que permanece, no qual a protagonista tem de lidar com seu papel descartável dentro de uma sociedade machista, mas encontra na melhor amiga companheirismo, lealdade e paixão; ou ainda As Filhas da Lua, cuja transformação maior não é se tornar uma loba, mas pela primeira vez sair da sombra dos irmãos e encontrar seu lugar no mundo. Não apenas dá-se vez ao protagonismo feminino, como também há uma diversidade muito grande, com personagens de todas as idades, de várias etnias e diferentes orientações sexuais. São personagens que se rebelam contra o status quo, que lutam por aquilo em que acreditam, que são capazes de se sacrificar por suas convicções. São as irmãs de Tecelões e também de O santuário de Liara, a elfa de Entre o amor e a glória, a competidora que abre mão da vitória em A noite mais escura, e as amazonas de A Última Batalha; e sim, é também a minha Elidore, de Kelpie. Elas desejam conhecimento, companheirismo e acima de tudo, respeito. Há releituras de contos tradicionais, como o excelente O Outro Lado da Maçã, com a surpreendente versão da Rainha Má e uma Branca de Neve que aprende a valiosa lição de amar a si mesma; uma criatura do folclore japonês com mais empatia que seres humanos em Dama de Gelo; uma versão de Boadiceia atrás de vingança em A rainha de fogo; deusas que abrem mão de posições de poder para possuir liberdade em A batalha de Freya e até mesmo um conto narrado pela Morte, apaixonada pela rainha guerreira de Coisas Vivas. Tem o gótico de A conjuradora de almas, o mítico em Fogo escarlate e o steampunk de A espada de gelo; o rancor como arma em Não tenha medo e a introspecção de um momento de transição Entre cinzas e o fogo Como em toda antologia, a qualidade dos contos é irregular, com alguns excelentes e outros medianos, mas há potencial para tanta coisa maior derivar dessas histórias - romances inteiros talvez, com mundos e mitologias próprias que, num espaço tão curto como o limite do livro, foram apenas pincelados. Ainda assim (e não digo isso por ser a autora de uma das histórias), é um livro gostoso de ler, que tem muito a apresentar, muitas autoras para conhecer e ficar de olho para poder ler o que mais elas escreverem. Terminando por hoje, lá no post do Coruja tá rolando sorteio até dia 09 de março. Passem por lá!

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 13
    • 5 estrelas62%
    • 4 estrelas8%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
    Anelise Vaz profile picture

    Anelise Vaz

    Eu, Anelise Vaz, ou Ane ou Nise (caso queiram chamar), nasci em 30 de Novembro de 1992. Com o meu nome sendo escolhido por eu mesma. Um privilégio para poucos! Eu brincava de coisas que eu inventava e por consequência disso que eu decidi começar a dar vida a isso. Com 11 anos, em 2004, peguei um caderno e escrevi o primeiro capítulo de “As Super Agentes”. Desde então, eu não parei mais. E muitas outras histórias surgiram desde então.

    13 Livros
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    Rio de Janeiro, Brasil

    Anelise Vaz