Nesta edição: # Xica da Silva: um mito brasileiro # Porta-aviões aéreo # Conheça Bangcoc # A arte de Pompeia # Como morreu Caminha
Aventuras na História Nº 165 (Fevereiro de 2017) - Xica da Silva
não informado
A reportagem de capa faz um paralelo entre a Chica da Silva histórica e a Xica da Silva mítica. O olhar sobre uma e outra revela características que se fazem presentes na história do país. Para ser mais específico, o texto fala da sexualização e exploração da mulher. Vou registrar alguns pontos do texto: A Chica teve um relacionamento de 17 anos com João Fernandes e dessa união nasceram 13 filhos. Trazendo para a realidade prática, significa dizer que ela passou a maior parte do tempo grávida, o que reforça as descrições históricas de uma mulher afetada pelo tempo e contexto que viveu, longe de uma Zezé Motta ou Taís Araújo. A meninas eram introduzidas na prática sexual na pré-adolescência e os portugueses da nobreza (vindos da Europa) quase todos tinham suas parceiras da terra, pois o país era árduo para as esposas europeias que muitas vezes não desejavam acompanha-los. Esse aspecto contribuiu para a imagem erotizada da mulher negra. Sem dúvidas, o que mitificou a Chica foram: o filme dos anos 70 e a novela da extinta Manchete, onde Xica era uma mulher objeto, usando seu poder de sedução para ascensão social. A atriz Zéze Motta está produzindo um documentário que procura resgatar a verdadeira identidade da Chica, prevendo-se até a reconstituição física. O aspecto que achei mais curioso foi a etimologia da palavra "mulato (a)". A reportagem procurou não utilizá-la numa forma de chamar a atenção para a origem racista que teve. Ela teria sido criada a partir de "mula" numa forma de referenciar uma mistura (um híbrido), alguém de menor valor. É o que o texto diz. Em seu sentido original a utilização era essa, mas hoje está associada a uma erotização na maior parte das vezes. Vendo histórias e percepções como essa, entendemos de onde vem a inspiração para muitas coisas que persistem em nossa sociedade, ainda que disfarçadamente. Interessante também a reportagem sobre "a morte de Pero Vaz de Caminha". Percebemos que a maior aventura do Cabral não foi o famoso descobrimento, mas a segunda parte da viagem (à Índia), em que enfrentou tempestades (que custou naus e vidas, como a do navegador Bartolomeu Dias) e travou guerra acirrada contra árabes pela hegemonia do comércio (numa destas morreu o Caminha). Acho que agora dá para imaginar porque essa viagem foi seu único feito. Também vou deixar em registro mais uma descoberta sobre origem de santos, que tem cada coisa curiosa, esdrúxula e inusitada. Não conhecia a Santa Wilgefortis, que tem a imagem de uma mulher barbada. Na lenda ela foi prometida pelo pai a um pagão e rogou então a uma santa que a torna-se feia. Surgiu-lhe a barba e o pai, descontente pelo acordo que ia fazer, mandou crucificá-la. Dá uma conferida em imagens dela na net... Finalizo com a referência aquele símbolo Ⓐ do anarquismo. Surgiu na guerra civil espanhola, com as letras "A" de anarquismo e "O" de ordem, inspiradas na frase de um filósofo francês anarquista: "A anarquia é a mãe da ordem" (Pierre-Joseph Proudhon).
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