Direito e Literatura - Interseções Discursivas nas Veredas da Linguagem

    Ângela Barbosa Franco, Maria Antonieta Rigueira Leal Gurgel (organizadoras)

    Arraes Editores
    2014
    191 páginas
    6h 22m
    ISBN-13: 9788582380802
    Português Brasileiro

    "A interação entre o Direito e a Literatura lida, de forma significativa, com a ambiguidade da linguagem e a diversidade interpretativa, o que comporta, a partir dessa combinação, distintas análises como a do direito da literatura (regulamentação da literatura); do direito como literatura (qualidades literárias do direito); do direito comparado à literatura (a estrutura literária do direito); do direito na literatura (representação do direito e da justiça na literatura); dentre outras perspectivas. Afinal, quem determina o caminho a ser percorrido é o leitor, na sua aproximação com a linguagem."

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    Paulo Silas Taporosky Filho24/12/2019Resenhou um livro
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    Reunindo interseções que permeiam diversas obras literárias de peso, Ângela Barbosa Franco e Maria Antonieta Rigueira Leal Gurgel dão corpo a um excelente livro de "Direito e Literatura", permitindo, como consta no título da obra, que sejam feitas "interseções discursivas nas veredas da linguagem". As leituras e releituras de clássicos literários estão presentes na obra, sempre por uma perspectiva jurídica ou no âmbito filosófico, amparando-se na interdisciplinaridade proposta pelo movimento "Direito e Literatura", situando-se os textos, em sua maioria, naquilo que se convencionou chamar de direito 'na' literatura, de modo que os artigos que compõem o livro se tratam, de certo modo, de análises jurídicas que são elaboradas a partir de exemplos extraídos de obras literárias. O livro é inaugurado com o texto "É o humano literatura?", de Bernanrdo Nogueira, onde se é estabelecido que o direito "está decrépito" e "completamente perdido em seu feudo epistemológico fechado e excludente", de modo que ao se perceber na literatura "uma das dimensões que compõe o humano ocidental", seria a partir desse saber, a literatura, que se teria a condição de possibilidade para se existir o humano enquanto tal, propondo-se assim uma efetiva relação entre direito e literatura. Na sequência, Maria Antonieta Rigueira Leal Gurgel e Monik Suélly da Silva Castro trabalham com a questão da violência de gênero tomando como base a leitura de "Gabriela Cravo e Canela", de Jorge Amado. Ângela Barbosa Franco e Maria Cristina Pimentel Campos aparecem no capítulo seguinte abordando a mediação e sua importância no cenário jurídico brasileiro, tomando como base para a reflexão proposta a obra shakespeariana "Otelo" - situando o personagem de Iago como "um mediador que fere todas as essencialidades da mediação". E assim o livro prossegue, fornecendo ao leitor outros tantos trabalhos que aliam direito à literatura ensejando em excelentes resultados. "Direito e Literatura: interseções discursivas nas veredas da linguagem" oferece assim ao leitor aquilo que um bom livro de "direito e literatura" deve conter: o pensar e o repensar do jurídico através de reflexões surgidas a partir da literatura. Além dos já mencionados clássicos, o livro conta com abordagens jurídico-literárias a partir de "O Processo Maurizius", de Jakob Wasserman, "V de Vingança", "O Alienista", de Machado de Assis, "Gente Pobre", de Dostoiévski, "Na Colônia Penal", de Franz Kafka, "Moby Dick", de Herman Melville, "A Morte de Ivan Ilitch", de Tolstoi e da fábula "O Lobo em Pele de Cordeiro". Trabalhos sérios e de qualidade estão então presentes nessa magnifica obra que com acerto foi produzida pelas organizadoras, contribuindo efetivamente para as discussões presentes no jurídico e no literário.

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