Aventuras na História Nº 168 (Maio de 2017) - Beethoven: Tragédia e Êxtase

    não informado

    Abril
    2017
    60 páginas
    2h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Aventuras na História – Maio de 2017

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    R .16/05/2017Resenhou um livro
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    A parte de notas históricas tem duas coisas que atraíram minha atenção: a afirmação de um arqueólogo americano de que o deserto do Saara teria sido criado por indução humana, e o escândalo recente da carne contaminada (Operação Carne Fraca) usado como gancho para apresentar um romance de 1906. - Na primeira questão, o nome do cara é David K. Wright, que sustenta a teoria de que o Saara era uma savana e isso começou a alterar com a introdução de povos com culturas de gado entre 10 e 5,5 mil anos. Esse processo teria desencadeado a desertificação com uma série de coisas (como a retirada da cobertura vegetal). Não vou entrar em explicações técnicas (nem saberia) mas essa cultura, no parecer do arqueólogo, predispôs a formação do deserto. Não afirmo nada, mas deixo a hipótese em registro. É a mesma que já vi em livros sobre a Amazônia, dizendo que muitas áreas de cerrado seriam resultado de desmatamento e intervenções de populações nativas antes da colonização. E não esqueçamos o que escreveu Euclides da Cunha em seu parecer sobre o homem e a terra em "Os sertões": "o homem é um fazedor de desertos". Já vi, e acredito, em estudos do Saara ter sido um oceano, mas ainda não tinha correlacionado a desertificação à ação humana. Viajando agora na maionese, penso em coisas surpreendentemente fantásticas que podem estar ocultas sob algumas dunas... - No segundo aspecto, o texto mencionou o livro "A Selva", de Upton Sinclair (1906). Se existe carne estragada no comércio da atualidade, a coisa era muito muito mais punk no início do século XX (em Chicago nos EUA, por exemplo). O escritor, também jornalista, fez uma pesquisa nessa região em 1905, resultante em um interessante romance, que inspirou conceitos modernos de vigilância sanitária e ilustra a ganância humana, capaz de absurdos por seus objetivos. "A Selva" é focada no universos de imigrantes, mostrando realidades degradantes a que estavam sujeitos (prostituição, exploração, etc e tal) que atingia também as indústrias alimentícias onde trabalhavam, onde o manuseio dos alimentos era um pesadelo (e verdadeiro!). Essa parte do livro é a mais conhecida e gostaria de ler, pois não deixa de ser um retrato de época em um submundo nada glamouroso que ainda existe em partes. Pelo que apurei, o SKOOB ainda não tem nem uma edição em português registrada, só em inglês. Se essa obra cair em minhas mãos, com certeza leio com vontade... Venha para mim! Ainda na parte inicial da revista, mais um santo bizarro (não oficial) me chamou a atenção: Jesús Malverde, o santo dos narcotraficantes no México e EUA (antes de morrer teria dado uma de Robin Hood). Acho que é tipo o Jararaca de Mossoró, um cangaceiro do bando do Lampião (buscado em graças informalmente), ou o Mata-Mouro, que tem uma das imagens mais bizarras (já vi entronizadas em igrejas, um guerreiro montado em seu cavalo sobre os corpos com as cabeças decepadas dos mouros... em cima do altar). Cada uma! Vou deixar em registro também os nomes de três mulheres serial killers, vai que tope com a referência a elas em algum momento, aí já sei quem foram, seja lá o que falem delas: Amélia Dyer (no século XIII deu fim a centenas de bebês), Elizabeth Bathory (já li algo e encontrei personagens diversos que inspirou com sua doidice de se banhar em sangue de moças para preservar a juventude, nos idos de 1500) e Catherine Monvoisin (apresentada como a maior assassina em série, com a particularidade de ser credenciada como bruxa na França de 1600... mais de 2400 vítimas). Na lista é evidente que há homens, mas registrei só essas porque sinto que encontrarei coisas romantizadas nisso e não quero ficar boiando nas fontes. ......................................................... Registro em 16/05/17 Dois livros bacanas citados pela edição: "Leopoldina, a história não contada", de Paulo Rezzutti, que mostra aspectos poucos conhecidos da imperatriz: bem articulada, culta e incentivadora de D. Pedro em importantes projetos. E também a triste realidade a que esteve sujeita no casamento, com relatos de violência, humilhações e aceitação forçada de imposições do marido (como regalias à Marquesa de Santos publicamente). "Ravensbruck", de Sarah Helm, sobre um nefasto e pouco conhecido campo de concentração nazista, específico para mulheres. Um terror e uma história que precisa sair da obscuridade. Muito legal a reportagem sobre a Princesa Isabel, na série Grandes Mulheres na História do Brasil. Dá ênfase à uma mulher culta, pacata, cristã e resoluta em suas opiniões. Temos a percepção de que ela só assinou a Lei Áurea como algo inevitável, mas foi uma atitude que partiu sobretudo de sua vontade e sobrepôs seus próprios interesses em relação aos apoiadores do império. Talvez o D. Pedro II não a assinasse tão logo por conta dos laços com os fazendeiros escravocratas, o que fez com que a princesa perdesse esse apoio. O texto a exalta como uma das pessoas mais cultas e bem preparadas para o governo em seu tempo. Parte de sua impopularidade estava relacionada à pouca receptividade que o povo atribuía ao Conde D' Eu, seu esposo. Parecia que ele passava imagem de passividade, sem carisma e tinha gagueira, o que fortalecia uma construção caricata jocosa em repúdio. Na real, a rejeição maior contra o governo de Isabel teria sido mesmo o preconceito machista contra ela, e também atitude intolerável e preconceituosa contra estrangeiros (em referência ao esposo, a quem viam como o governante na prática, em hipótese de reinado de Isabel, como se o país caísse sob domínio estrangeiro). Ah, o escritor Joaquim Manuel de Macedo (da Moreninha) foi professor da princesa. A reportagem de capa é legal, mas não me instigou.

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