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    Jane Eyre -

    Charlotte Brontë, Currer Bell

    Landmark
    2017
    656 páginas
    21h 52m
    ISBN-13: 9788580700428
    Português Brasileiro
    4.5
    23205 avaliações
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    “JANE EYRE”, romance de Charlotte Brontë [aka] *Currer Bell* publicado em 1847. É sua composição mais celebrada -- uma das grandes obras do Romantismo inglês. Apesar de ser um extenso romance, grande parte da narrativa de Jane Eyre aproxima-se do drama, pois o leitor vê-se diante de uma protagonista que muda o rumo dos acontecimentos a partir de sua ação, conduzindo, assim, o eixo dramático da narrativa. O trágico também acompanha todo o romance e toda a trajetória da personagem principal. O confronto com as perdas, a intervenção do destino, as escolhas morais, o prenúncio do inescapavelmente trágico e, ainda, as constantes citações de tragédias shakespeareanas, compõem o cenário trágico em JANE EYRE. O sucesso de sua publicação foi tamanha que a sua primeira edição esgotou-se imediatamente, sendo publicada mais três impressões ainda em 1847. “JANE EYRE” é a autobiografia ficcional da personagem principal que apresenta-se como Jane, órfã de pai e mãe, vivendo infeliz em companhia de parentes que a detestam. Crescida e formada como professora, decide procurar uma nova posição, encontrando-a no Solar de Thornfield, como tutora da jovem Adèle, pupila de Lorde Rochester, onde virá a descobrir que o destino lhe reservará surpresas e reviravoltas em sua vida. O romance retrata a emancipação da mulher e de seu espírito, escrito em um tempo em que não eram permitidas experiências às mulheres. Neste livro, através de elementos simbólicos, Charlotte Brontë prova que as mulheres eram perfeitamente capazes de trabalhar e de lutarem por uma vida, independentemente de se casarem ou não. “JANE EYRE” foi uma das obras literárias mais adaptadas para outras mídias: recebeu 16 adaptações cinematográficas, desde a primeira versão realizada ainda nos tempos do cinema mudo em 1915, até a grandiosa adaptação realizada em 1944, estrelada por Orson Welles como Lorde Rochester, Joan Fontaine como Jane Eyre, Agnes Moorehead como Mrs. Reed, Margaret O’Brien como Adèle e Elizabeth Taylor como Helen Burns. Em 2011, uma nova versão chegou às telas do cinema, sob a direção do cineasta nipo-americano Cary Fukunaga, estrelando Mia Wasikowska (de “Alice no País das Maravilhas”, 2010) como Jane Eyre e Michael Fassbender (“Bastardos Inglórios”, 2010) como Lorde Rochester. Recebeu ainda outras adaptações, sendo duas adaptações para ballet, um musical, duas versões para ópera e uma sinfonia; além disso, dez adaptações para televisão e uma versão para graphic novel, além de inúmeras pré-sequências, reescritas e novas versões sobre personagens, locais e acontecimentos descritos na história. A nova edição bilíngue lançada em comemoração aos 200 anos de nascimento da escritora Charlotte Brontë trás ainda o magnífico trabalho de Frederick Henry Townsend (1868-1920), responsável pelas ilustrações da primeira edição ilustrada publicada em 1897. ==== (*) Charlotte Brontë utilizou o pseudónimo Currer Bell quando publicou os seus dois primeiros romances. Havia muita especulação quanto à identidade de "Currer Bell" e se este seria um homem ou uma mulher...

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    Vanessa Monteiro da Silva picture
    Vanessa Monteiro da Silva29/05/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Mesmo tecendo críticas a minha amada Jane Austen, sem dúvida, com este romance, Charlotte Bronthe, conquistou-me definitivamente, pois, através de Jane Eyre pude sentir o que posso chamar de um verdadeiro deleite literário. A narrativa da sofrida e determinada preceptora, me fisgou logo nas primeiras páginas, simplesmente não conseguia largar o livro! Já conhecia a história através de uma série produzida pela BBC. Não gosto de assistir produções cinematográficas ou televisivas antes da leitura do livro, porque além de contaminar os personagens com a interpretação e imagem dos atores, provoca em mim, certo desinteresse, por não poder mais degustar a cada página, a delícia da surpresa. No entanto, com Jane Eyre não posso dizer que tive prejuízos de tal natureza. Foram 622 páginas de puro encantamento, tive por alguns dias diante dos meus olhos, uma personagem com a qual partilhei cada momento de desamparo, solidão, euforia e felicidade, as sensações de Jane pude sentir também como minhas. Contendo alguns elementos autobiográficos (a semelhança entre criadora e criação é indiscutível), Charlotte insere ainda seu posicionamento contrário a instituição que era o casamento no século XIX. Feminista, a autora defende a busca de uma independência financeira, e não a estabilização da mulher através de um bom casamento, e é este o eixo da crítica de Bronte à Austen, infelizmente Bronte não percebeu qual era o tempero indispensável à receita literária de Austen, a ironia. De vertente realista, salpicada com mistério, críticas a sociedade e ainda, o atraente elemento gótico, esta é uma obra revolucionária no contexto literário e social do seu tempo. Jane Eyre é um clássico, um livro que recomendo, e que só lamento por ser tão difícil de encontrar. Sendo assim, poucos terão o privilégio de conhecer intimamente uma personagem tão viva e sinceramente humana que me pareceu de carne e osso, uma heroína longe da perfeição, detentora de qualidades, mas que é sublimemente encantadora em seus defeitos. Sem sangue azul ou beleza que lhe aprouvesse, Jane cativa-nos, deixando o leitor de certa forma tão apaixonado quanto o seu amado Rochester.

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