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    Pape Satàn Aleppe - Crônicas de Uma Sociedade Líquida

    Umberto Eco

    Record
    2017
    420 páginas
    14h 0m
    ISBN-13: 9788501109095
    Português Brasileiro
    4
    72 avaliações
    Leram102Lendo33Querem240Relendo0Abandonos8Resenhas14
    Favoritos10Desejados240Avaliaram72

    O último livro escrito por Umberto Eco. Crises ideológicas, econômicas e políticas, individualismo desenfreado e uma relação simbiótica com nossos celulares são alguns dos elementos que compõem o ambiente em que vivemos: o de uma sociedade líquida, onde nada parece fazer sentido ou ter sequer algum significado. Neste que é seu derradeiro livro, a fim de tornar mais fácil a compreensão de nossa sociedade desnorteada, Umberto Eco nos presenteia com uma coleção de ensaios sobre tudo: de Harry Potter ao 11 de Setembro, passando pelo Twitter, os templários e questões de caligrafia. “Pape Satàn, pape Satàn aleppe”, disse Plutão no Inferno de Dante, com espanto, tristeza, ameaça ou talvez ironia. O significado do verso, ainda um mistério para nós, líquido demais, é perfeito, portanto, para caracterizar a confusão de nosso tempo e intitular esta obra. Contracapa: "O silêncio está prestes a se tornar um bem caríssimo e, de fato, só está a disposição de pessoas abastadas que podem pagar mansões em meio ao verde ou de místicos da montanha com mochilas nas costas, que ficam tão inebriados pelos silêncios incontaminados das alturas que perdem a cabeça e acabam caindo em alguma fenda, de modo que não demora para que toda a área seja poluída pelo ronco dos helicópteros dos socorristas. Ainda vamos chegar ao momento em que aqueles que não aguentam mais o baruho poderão comprar pacotes de silêncio, uma hora num quarto forrado como o de Proust ao preço de uma poltrona no Scala de Milão. Como réstia de esperança, pois infinitas são as astúcias da Razão, observo que - à exceção dos que usam o computador para baixar suas músicas barulhentíssimas - todos os outros poderão encontrar o silêncio justamente diante da tela luminosa, de dia e de noite: basta usar o controle e desligar o áudio."

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    @rafamedeirosmartins picture
    @rafamedeirosmartins05/10/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Pra entender o mundo

    O cronista exerce um ofício difícil: falar a cada 15 dias, daí pra pouco mais ou menos, sobre temários livres e com densidade não parece ser simples. É preciso haver bagagem intelectual considerável, boa habilidade na escrita, e sobretudo fugir do lugar-comum. Tudo isto tem Umberto Eco, que dispensa prefácios - ele próprio odeia fazê-los. Suas formações, todas laureadas, como historiador, semiológo, filósofo e escritor são mais que suficientes para produzir crônicas de primeiro time. Um livro que ensina a pensar. Com tamanha erudição, leva o leitor a reconhecer suas limitações e querer se aprimorar, porque é preciso levar a vida a sério, e não há coisa mais séria que os assuntos que regem a humanidade: racismo, religião, loucura, avanços e retrocessos, política, educação, todos os temas tratados com desenvoltura no formato que a crônica admite. Olho para o título (Pape SATÀN Aleppe) e lembro do difícil momento que atravessa este país, com a grave comunicação entre política estatal e fundamentos religiosos. Às fls. 255, Eco explica como o fundamentalismo religioso se inseriu na política dos EUA, apoiando todas as posições da direita. É o que se passa no Brasil atual. Já na pág. 345 define reacionário como "aquele que considera que existe uma sabedoria antiga, um modelo tradicional de ordem social e moral a qual devemos retornar a qualquer preço, opondo-se às conquistas do progresso, das ideias democráticas, à tecnologia e à ciência moderna."

    6 curtidas

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    Umberto Eco

    Semiólogo, crítico, professor e romancista italiano, dedicou-se à estética, filosofia da linguagem, teoria da literatura e da arte e sociologia da cultura. Tornou-se famoso ao grande público com sua obra literária, notadamente com <i>Il nome della rosa</i>.

    248 Livros
    897 Seguidores
    Piemonte, Itália

    Umberto Eco