Li esse livro por indicação de Bene Barbosa, um especialista em segurança pública de muita credibilidade.
O livro é a autobiografia de um dos maiores, talvez o maior, caçador do século XX. Nele, John Hunter conta suas experiências com a caça, principalmente a "caça grossa", que se refere á animais de grande porte, como leão, búfalo, leopardo, elefante e rinoceronte.
Ele fala também de sua infância na Escócia, como foi parar na África, e como construiu sua vida lá. Há sinceridade em suas palavras, nas histórias e em tudo o que é passado no livro. A descrição das cenas é detalhada, sem ser exagerada, e conseguimos visualizar claramente as cenas narradas. Há momentos engraçados, dramáticos, vários momentos tensos - como por exemplo quando se fere um animal e é preciso rastreá-lo sem ser pego de surpresa por ele -, reflexões filosóficas sobre a humanidade e natureza, porém sem ser enfadonhas, como a maioria de tais reflexões o são.
====MINI-SPOILER===
Após muitos anos vivendo como caçador, John se torna guarda-caça, uma espécie de polícia africana que preza pela preservação de vida animal e cuida para que certas raças não atinjam um número muito baixo de espécimes - aliás, Hunter publicou um livro só sobre isso, chamado "Hunter's Tracks", onde ele narra seus esforços para prender uma gangue de traficantes de marfim -. John pode ter matado muitas feras, mas sempre as amou e as respeitou, tendo salvado muitas outras e até mesmo raças inteiras. Muitas das caças de John, já da época de caçador, era com o intuito de proteger tribos e plantações - as "shambas" - contra animais "salteadores" ferozes, que destruíam tudo por onde passaram, inclusive levando muitas vidas humanas no processo.
John também fala do respeito e admiração que nutriu pelos nativos africanos, muitos dos quais se tornaram seu braço direito na caça, seja sendo um "rastreador" ou um porta-armas.
Leitura envolvente, light, com entretenimento, constituindo-se um belo passatempo e um registro histórico de uma África "tal qual Deus a fez", nas palavras do próprio autor, e que já não existe mais.