"De todo modo, não era nada complicado de entender. Talvez quisesse ser um pouco bonita, nem que apenas aos domingos, para a missa, como quem interpreta um teatro, como quem representa o que não é e pede a felicidade emprestada. Como se, por uns breves instantes, a vida dos trabalhadores fosse coisa diversa e tivesse passeio ou amor."
Pela segunda vez lendo Valter Hugo Mãe, não tenho o que comentar. Não tenho o que agregar. Os livros parecem completos, fechados em si. Me fez ate acreditar que seria uma versão mais rústica do livro a hora da Estrela, mas não. Essa tomada de consciência me lembrou Macabéa, de A Hora da Estrela, mas pela diferença fundamental entre elas. A menina que carrwgava bocadinho se sentiu no direito de amar, de ser um pouco bonita, ela nao so desejava. Ela entendeu que podia querer. Nem que seja só aos domingos, para a missa. Macabéa deseja sem saber que pode desejar. Já a menina que carregava bocadinhos entende. E quando entende, não cabe mais no lugar onde estava.
A escrita também é bastante parecida com a hora da Estrela. A ingenuidade. Acho que agora pensando melhor no conto entendi porque minha professora de fenomenologia o indicou. De uma forma bem pouco explocada e sem rodeios. Quando alguem toma consciência da própria existência também se torna mais parte de si. E assim, como essa mesma professora disse, "se torna a batata no porão que vai lentamente, com sua folhas, procurando o sol".
Pela segunda vez lendo Valter Hugo Mãe, não tenho o que comentar. Não tenho o que agregar. Os livros parecem completos, fechados em si. Me fez até acreditar que seria uma versão mais rústica do livro A Hora da Estrela, mas não.
A certa subserviência me lembrou Macabéa, de A Hora da Estrela, mas a súbita consciência mostra a diferença fundamental entre elas. A menina que carregava bocadinhos se sentiu no direito de amar, de ser um pouco bonita; ela não só desejava. Ela entendeu que podia querer, nem que fosse só aos domingos, para a missa. Macabéa deseja sem saber que pode desejar. Já a menina que carregava bocadinhos entende. E, quando entende, não cabe mais no lugar onde estava.
A escrita também é bastante parecida com A Hora da Estrela: a ingenuidade. Acho que agora, pensando melhor no conto, entendi por que minha professora de fenomenologia o indicou. De uma forma bem pouco explicada e sem rodeios, quando alguém toma consciência da própria existência, também se torna mais parte de si. E assim, como essa mesma professora disse, “se torna a batata no porão que vai lentamente, com suas folhas, procurando o sol”.