Uma História de Deus -

    Karen Armstrong

    Companhia das Letras
    2008
    560 páginas
    18h 40m
    ISBN-13: 9788535911589
    Português Brasileiro

    O Deus das grandes religiões monoteístas - judaísmo, cristianismo e islamismo - foi, ao longo dos tempos, objeto das mais variadas representações. Mesmo no interior de cada uma dessas tradições, a idéia de Deus e a maneira de vivenciá-lo nunca foram unânimes. É a história complexa e emocionante dessa multiplicidade de abordagens de Deus que Karen Armstrong, uma autoridade em assuntos religiosos com impecáveis credenciais ecumênicas, apresenta com luminosa clareza neste Uma História de Deus. A compreensão das diferentes concepções de Deus no passado e sua relevância e utilidade é, segundo ela, uma maneira de se começar a buscar uma nova concepção de Deus para o século XXI. Um desenvolvimento inevitável, pois, como mostra este livro, não há como negar a arraigada necessidade humana de buscar transcender os limites de sua condição terrena.

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    Raphael Bittencourt10/10/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Autoridade em assuntos religiosos, Karen Armstrong apresenta, aqui, um grande panorama sobre tudo que foi produzido na mente humana para conceber o Deus das três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Há um capítulo para investigar a identidade de Deus sob a ética de cada uma dessas religiões, além de ser abordado, também, o deus dos filósofos, dos místicos e a concepção de Deus construída no iluminismo. Sobre Jesus, em particular, ele alguma vez se proclamou ser divino? Os estudiosos em assuntos bíblicos dizem que não. No máximo ele disse que era “filho do homem” e isso não equivale a atribuir-se uma natureza divina. No mais, a autora concluiu que não há uma visão objetiva sobre Deus: cada geração tem de criar a imagem que funciona melhor para ela. Disso decorre as diversas concepções do divino abrangidas na obra. É estudado, ainda, o deus anterior ao judaísmo das religiões pagãs que tinha um caráter regionalista e que certamente influenciou na concepção do deus judaico de Israel, o que veio a ser modificado por Jesus e Paulo que trouxeram uma ideia universal de salvação. A autora menciona, ademais, como Platão e o ‘mundo das ideias’ foram cruciais para o desenvolvimento das religiões monoteístas. Prosseguindo, me identifiquei bastante com a concepção subjetiva de Deus: “(...)Deus não vem ao homem opressivamente, mas de acordo com a capacidade humana de recebê-lo. Essa conclusão implica que Deus não pode ser descrito numa fórmula, como se fosse o mesmo para todos. É uma experiência essencialmente subjetiva. Qualquer doutrina limitaria o mistério essencial de Deus que é absolutamente incompreensível”. Por fim, reputo interessante a concepção de Deus como sendo o absoluto. Isso retira de Deus atributos morais como bom ou mau. O mal, propriamente, decorre do moralismo humano. Deus está além do bem e do mal. O mal existe no mundo, pois ele também é uma expressão do absoluto. Mais ou menos parecida seria a concepção de deus do filósofo Spinoza que equivale ao próprio mecanismo de funcionamento da natureza e se confunde, também, com o todo.

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