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    Os Maias (A Obra-prima de cada autor - Série Ouro #44) -

    Eça de Queiroz

    Martin Claret
    2017
    586 páginas
    19h 32m
    ISBN-10: 8572327096
    Português
    3.8
    2 avaliações
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    Favoritos0Desejados3Avaliaram2

    Iniciador do realismo na literatura de língua portuguesa e perfeccionista obsessivo Eça de Queirós foi um escritor de uma auto-exigência quase impiedosa. Desprezou várias de suas criações literárias que não o satisfaziam e chegou a renegar a primeira versão de Os Maias livro que levou aproximadamente dez anos para concluir.Em sua extensa bibliografia há várias obras-primas. O romance Os Maias (1888) é considerado como a melhor de suas obras. Foi nesse volumoso livro que Eça de Queirós sintetizou e analisou suas idéias sobre a sociedade portuguesa já tratadas em obras anteriores. O cenário é a cidade de Lisboa no final do século XIX com sua burguesia decadente e acentuada transição sociocultural. A obra conta a história da família Maia.Referindo-se ao livro o escritor disse: 'Decidi fazer não um romance mas um romance em que pusesse tudo o que tenho...'

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    Resenhas (1)Ver mais
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    Rayan Gomes Queiroz Ramos16/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Lindamente bem escrito

    Um romance extremamente bem escrito. O autor faz uma construção muito bem detalhada de mundo, dando detalhes tanto aos belos cenários como à construção dos personagens. Ele não tem pressa e toma seu tempo para descrever os acontecimentos, tanto é que só perto da metade do livro é que o casal principal se encontra pela primeira vez, pois antes estávamos ficando familiarizados com os personagens, sabendo sobre o avô e os pais de Carlos de Maia (o protagonista), que vem a ter um papel importante na história. Porém isso não é feito de uma maneira maçante, é feito de uma maneira viva, feito de uma maneira que não se pode ver o que vem pela frente porque é como se tivesse sua vida própria, é dado tempo para conhecermos, gostarmos e desgostarmos de personagens e ver suas desventuras burguesas em Lisboa. Além disso as confraternizações dos personagens além de os darem vida tecem comentários e críticas sobre filosofias, política, economia e principalmente, sobre a sociedade (especialmente a sociedade burguesa) de Lisboa da época, com frases como: "No tempo da regeneração e dos Históricos, a política era o progresso, a viação, a liberdade, o palavrório... Nós mudamos tudo isso. Hoje é o fato positivo, o dinheiro, o dinheiro! O bago! A massa! A rica massinha da nossa alma, menino! O Divino dinheiro!" Que nada mais é que um diálogo secundário, porém que traz em si muito significado, o livro é cheio desses. Apesar de ficar óbvio uma das principais reviravoltas bem antes de ela chegar (hoje em dia é facilmente perceptível, pois já foi amplamente usada, na época não sei se o era) muito ocorre que não se pode esperar e durante certo tempo mal dá pra se imaginar para onde a história sequer vai. Vemos assim a sociedade lisboeta da época e suas falhas, filosofias, pensamentos políticos, vemos como é a vida burguesa dos personagens principais, como Carlos Maia que nasceu e morreu rico sem para isso fazer o menor esforço, e toda a teia de infidelidades, mentiras, aparências que ocorre por trás dela, com várias traições e casos amorosos escondidos, com boatos que sabem tudo e os quais todos temem. Uma leitura bem interessante e percebe-se porque é um clássico da literatura portuguesa. P.S (Pequeno Spoiler): É muito interessante a contradição no final de Carlos e Ega chegarem à conclusão de que não vale a pena correr por nada na vida e eles manteriam o passo sossegado mesmo que dissessem que havia uma fortuna os esperando no andar de baixo, porém logo em seguida correm para alcançar um "táxi" pois estão atrasados para um jantar que eles marcaram. Podendo tanto ser visto no sentido de como eles valorizam os costumes, até mais que paixões, fortunas, etc, ou também podendo ser visto como o quão é inevitável que se corra pelas coisas na vida, mesmo que se aceite uma filosofia de levar tudo na calma, eles dois, como dois "românticos" correm atrás das coisas, mesmo que por isso sofram as consequências.

    1 curtida

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    3.8 / 2
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    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz