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    Vida e Arte: Memorias de Lelia Abramo

    Lélia Abramo Scarmangan

    Fundacao Perseu Abramo / Unicamp
    1997
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788526804197
    Português Brasileiro
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    Lélia Abramo Scarmangan

    Atriz. Intérprete de grandes recursos, envolvida em significativos movimentos a favor de um teatro culturalmente empenhado. Alia à sua atividade artística forte participação política e cultural. Integrante da família Abramo, formada por jornalistas, pintores e críticos de arte, Lélia passa a infância em meio ao ambiente cultural, integrando grupos teatrais amadores de origem socialista. É amiga do crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981), de quem partilha as ideias, tendo sido presa na Itália na luta contra Mussolini. De volta ao Brasil, reintegra-se ao movimento cultural, estreando profissionalmente no papel de Romana, a mãe de Eles Não Usam Black-Tie (1958), peça de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) dirigida por José Renato (1926-2011), no Teatro de Arena. Ganha os prêmios Saci, Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT), e Governador do Estado de melhor atriz coadjuvante. No ano seguinte, está em Gente como a Gente, direção de Augusto Boal (1931-2009), texto de Roberto Freire (1927-2008). Em 1960, destaca-se no papel-título de Mãe Coragem e Seus Filhos, polêmica montagem do texto de Bertolt Brecht (1898-1956) por Alberto D'Aversa (1920-1969) e produzida por Ruth Escobar (1936). No Teatro Cacilda Becker (TCB), participa de Raízes, de Arnold Wesker (1932-2016), direção de Antônio Abujamra (1932-2015); Os Rinocerontes, de Eugène Ionesco (1912-1994), com o comando de Walmor Chagas (1930-2013); e Oscar, de Claude Magnier (1920-1983), dirigido por Cacilda Becker (1921-1969), todas em 1961. A partir de 1962, entra para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), projetando-se em Yerma (1962), de Federico García Lorca (1898-1936), direção de Antunes Filho (1929); Os Ossos do Barão (1963), encenação de Maurice Vaneau (1926-2007), e Vereda da Salvação (1964) de Jorge Andrade (1922-1984), também dirigido por Antunes Filho. Boas oportunidades surgem em Os Espectros (1965), de Henrik Ibsen (1828-1906), com direção de Alberto D'Aversa; e Lisístrata, A Greve do Sexo (1967) novamente com Vaneau, agora numa produção de Ruth Escobar. Como Clitemnestra, na montagem de Maria José de Carvalho para Agamemnon (1968/1969) de Ésquilo (525-456), atinge novo ponto alto na carreira. Seu perfil trágico encontra novo realce como Margarida de Anjou, personagem de Ricardo III (1975), de William Shakespeare (1564-1616), na encenação de Antunes Filho. Em chave altamente dramática cria Pozzo, o patrão de Esperando Godot (1976), de Samuel Beckett (1906-1989), também direção de Antunes Filho com elenco totalmente feminino que destaca Eva Wilma (1933) e Lilian Lemmertz (1937-1986) nos papéis centrais. Afastada dos palcos durante muitos anos, dedica-se à causas políticas e culturais, ocupando o desempenho central de A Mãe (1985), de Máximo Gorki (1868-1936), encenação de João das Neves (1934), com alunos da escola carioca de formação de atores CAL - Casa das Artes de Laranjeiras. Lélia possui intensa participação no cinema, com ênfase nos filmes Vereda da Salvação (1963), O Caso dos Irmãos Naves (1967); Joana, a Francesa (1972), ao lado de Jeanne Moreau (1928); O Sonho Não Acabou (1980); Eles Não Usam Black-Tie (1981); e Janete (1982). Na televisão possui longa e profícua participação, iniciada com A Muralha (1962), ao vivo, na TV Cultura, São Paulo; prosseguindo em diversas emissoras: Prisioneiro de um Sonho (1964/1965), na TV Record, SP; Redenção (1966), na TV Excelsior, SP; Nossa Filha Gabriela (1971/1972), na TV Tupi, SP; e nas produções da Rede Globo Uma Rosa Com Amor (1972/1973), e Os Ossos do Barão (1973/1974). Toda essa intensa participação na vida cultural brasileira está registrada em seu livro autobiográfico, lançado em 1997, Vida e Arte, onde reuniu reflexões sobre o ofício. Analisando sua trajetória, fixa o cenógrafo Gianni Ratto (1916-2005): "As circunstâncias profissionais da "gens theatralis" são quase sempre imprevisíveis; no caso de Lélia, a passagem por um grupo amador de língua italiana foi indiretamente responsável pelo convite que ela recebeu para atuar em Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, interpretação que confirmou nela, revelando-o aos outros, um talento do qual nunca tinha duvidado. [...] O que me parece extraordinário em Lélia é a capacidade que ela tem de coordenar uma visão estético-crítica que sempre norteará seu trabalho com a postura sociopolítica que até hoje não a abandona, e, o que mais me surpreende, é que em todas as suas atitudes, talvez sem percebê-lo, é luminosamente suprapartidária" Fonte: Itaú Cultural

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    São Paulo, Brasil

    Lélia Abramo Scarmangan