O livro é desconcertante, provocativo - não por falar de sexo, mas por mostrar o quanto estamos inseridos (há séculos) em uma sociedade que vincula sexo com poder.
Foucault rompe paradigmas ao negar a ideia corrente de que por muito tempo a sexualidade foi reprimida. Ao contrário, diz o autor. Desde o século XVII, há um movimento constante e crescente que pede que nosso sexo seja exposto, julgado, avaliado, medido, controlado. Desde as confissões detalhadas aos inquisidores até às mais obscenas confissões no divã - há muito tempo que nos pedem o relato de nossa sexualidade. Não é de se estranhar, portanto, que hoje estejamos vivenciando uma sociedade tão erotizada.
Outro pensamento interessante do filosófo são suas ideias acerca do que representa, de fato, a psicanálise e todo o aparato médico que visa legalizar nossos corpos, separando o que é normal do que é histeria, incesto, loucura.
Foucault não é um escritor difícil; bem como em algumas canções infantis enumerativas (o fogo no pau, o pau no cachorro, o cachorro no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar), o autor brinca com a linguagem retomando a todo momento os argumentos já expostos acrescidos de mais um. Entretanto, ainda assim não sei se compreendi a parte final da obra - ainda que o filosófo dê uma ajuda com o uso que faz da língua, seus pensamentos são complexos, difíceis de assimilar. Entretanto, são igualmente recompensadores.