Como parte dessa geração de luta identitária e tendo um envolvimento pessoal com movimentos sociais, achei o livro muito necessário para reflexão e debate de diversos pontos.
Não concordei com tudo o que ele escreveu, principalmente quanto às ideias sobre os movimentos feministas fragilizarem a mulher. Em um momento do livro ele até questiona ou ironiza como se as mulheres fossem muito bem capazes de dizer não. Nesse ponto, ele totalmente desconsiderou toda a cultura patriarcal que nos educa a ser passiva. Mas isso só quem é mulher vai entender: quantas vezes a gente já quis dizer não para pessoas ou situações, mas o nosso subconsciente que foi educado a ser gentil e passiva nos faz aceitar e nos submeter a situações e lugares desconfortáveis onde não gostaríamos de estar. Então nem sempre existe um simples "dizer não" para uma mulher, como existe para um homem. Depende principalmente da educação e criação social que a mulher teve sobre se impor ou não.
De qualquer forma, o livro me trouxe uma perspectiva diferente da que estou acostumada a ver sobre lutas identitárias, já que integro algumas pautas, e conseguiu me gerar incômodo, autocrítica, refletir e questionar sobre diversos pontos: o que faz com que possamos considerar sim um livro bom e bem argumentado.
Por fim, importante saber quem é o autor para compreender de onde parte a perspectiva dele também. Como ele mesmo diz no início do livro: homem, hetero, branco, cis e privilegiado hahaha o que não deslegitima sua fala e suas teorias, mas faz com que ele obviamente não tenha a mesma perspectiva que um membro de um movimento minoritário teria se redigisse um livro.
De qualquer modo, saber ler e entender o ponto de vista do outro é necessário para a pluralidade de ideias. Livro necessário para autocrítica dos movimentos identitários sociais.