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    Radicais nas Universidades - Como a Política Corrompeu o Ensino Sperior nos Estados Unidos da América

    Roger Kimball

    Peixoto Neto
    2010
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788588069428
    Português Brasileiro
    4
    11 avaliações
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    Radicais nas universidades mostra como a educação superior nos Estados Unidos, em especial nas faculdades de ciências humanas, sofreu uma completa transformação que teve início nos anos 1960 e hoje atinge o seu ápice. Essa mudança foi a total politização das discussões, interesses e critérios acadêmicos em prol de certos grupos sociais e ideologias. Na atualidade, o ambiente acadêmico vive sob a ditadura do politicamente correto e do único critério que serve para julgamento e decisão do que quer que seja dentro desse ambiente: partidarismo. Roger Kimball aponta a farsa que são as carreiras acadêmicas nas áreas das ciências humanas em todas as universidades americanas. Mostra ainda a mediocridade, a infantilidade, a perversidade e a mesquinhez que imperam nesses departamentos. Como tudo que é nonsense, a realidade descrita por Kimball garantirá algum divertimento ao leitor, mas, ao fim, a sensação será de amargor e desânimo pela constatação do elevado grau de deformação da cultura acadêmica contemporânea. Essa mesma deformação aconteceu no Brasil com uma diferença: aqui, o fenômeno nem sequer foi percebido. A resistência e a crítica praticamente inexistiram nos meios acadêmicos locais. Em parte porque, no Brasil, as atividades nos departamentos de ciências humanas nunca passaram de um pálido reflexo dos modismos acadêmicos europeus que agora imperam também nas principais faculdades dos Estados Unidos. Em nosso país, o pior ainda está por vir: a importação do ideário politicamente correto que sufoca e debilita o ensino nos Estados Unidos, como o leitor poderá constatar em Radicais nas universidades.

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    Marcelo Gabriel Delfino07/11/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A universidade costumava ser o lugar em que se aprendia profundamente sobre as grandes questões da humanidade. Ali se travava o primeiro contato com a filosofia, com os grandes autores e pensadores da humanidade; e depois havia estímulo e possibilidade de dar sequência e se aprofundar. Não havia nenhuma obrigação da universidade em termos políticos, como se tivesse que formar revolucionários ou cidadãos engajados com causas sociais. Tampouco reparar “dívidas históricas”, como em relação a escravidão. A universidade servia para ensinar ao aluno algo mais duradouro do que as questões do momento, que mesmo que sejam importantes, precisam ser balizadas por temas atemporais. Deveria ser assim, mas depois que os radicais assumem cargos importantes, a universidade fica à mercê do direcionamento que tomam as discussões contemporâneas, mesmo que elas não durem mais do que alguns dias. Roger Kimball descreve um quadro de transformação, onde a revolução do pensamento de esquerda ainda não havia se sedimentado. Para nós o livro é mais impressionante do que deve ter sido para os americanos, porque conhecemos apenas a universidade já tomada pelos radicais. Cursos onde jamais se menciona autores liberais ou conservadores (alguns liberais até aparecem, como Stuart Mill, mas conservadores são completamente ignorados), temas dominados pelo politicamente correto, discussões vazias sobre uma realidade que só existe dentro da universidade e não corresponde sequer a uma fração do que acontece fora de seus portões. Tive uma colega que como tema de estudo para o mestrado criou um projeto sobre a mulher na obra de Shakespeare. A pergunta — óbvia— é se podemos questionar o autor sobre o tema do gênero. Forçar uma resposta sobre uma questão que não está colocada para um autor é chegar inevitavelmente à conclusão de que ele é sim um porco machista, branco, cristão e privilegiado. Só que essa conclusão já estava posta desde o início. Isso não é ciência. Nem mesmo ciências humanas. E me parece um pouco positivista, além disso, porque o presente parece superior ao passado, por ser mais esclarecido e não preconceituoso. É exigido posicionamento político sobre tudo, o que muitas vezes pode até passar por erudição, se for bem elaborado, mas que não tem conteúdo algum. Se para os americanos o desconstrucionismo soa como o maior absurdo possível, é preciso que se veja a manifestação do fenômeno no Brasil. Aqui até mesmo a erudição é desprezada; aqui basta ter um discurso radical, o mais radical possível e parecer comprometido com a causa para ser considerado um intelectual. Certamente devido à herança de Gramsci, que pretende modificar o pensamento e a maneira como sentimos o mundo para só depois iniciar uma revolução comunista. Mas será que não existem exemplos de mulheres que participem ativamente da história das ciências e da filosofia, assim como negros e homossexuais? Evidentemente que sim. Mas essas pessoas raramente são citadas pelos defensores do feminismo ou do multiculturalismo. No fundo, o que eles querem é que o nível seja baixado até alcançar seu critério de classificação; jamais se imaginam tendo tanto trabalho quando uma Simone Weil para escrever algo de realmente significativo. Em uma palavra, parafraseando Mises, os críticos sentem inveja das realizações alheias e, incapazes de alcançar o nível das grandes realizações, procuram estigmatizá-las como obras de barbárie intelectual para que possam ter seu trabalho reconhecido, ocupando o espaço que fica vago pela desvalorização do outro. No meu caso, que não gostava do marxismo por achar muito reducionista, havia alguns outros autores que a academia coloca como oposição à esquerda. Foucault, Deleuze, Nietzsche... Acontece que todos eles já foram totalmente englobados pela academia e não representam mais uma oposição à esquerda. Foucault e Deleuze, por exemplo, nunca foram nada além de esquerdistas, mesmo que usem uma quantidade de referências muito maior que os marxistas normalmente. Já Nietzsche é um caso a parte, porque é um conservador. No entanto, através de uma leitura predominantemente foucaultiana, teve todas suas teses reduzidas a meros apêndices da destruição sistemática dos valores ocidentais. Foi um grande choque quando tive contato com Mário Ferreira dos Santos e sua interpretação. Esse pequeno relato pessoal serve para mostrar como a esquerda domina amplamente o ambiente ideológico dentro da universidade. Ela cria uma realidade paralela, onde só existe esquerda e mesmo os autores que destoam, mas não podem ser desprezados, ganham coloração esquerdista. Embora possa parecer apenas uma manobra sem consequência, isso define o pensamento por toda a vida. Depois somos obrigados a ler ou assistir palestras dessas pessoas que desvalorizam qualquer pensamento realmente contrário a partir de uma suposta queda de nível. E, pode acreditar, eles acham que estão falando a verdade. Porque pensamento, em um ambiente de hegemonia ideológica, como é a universidade, só pode ser aquele que tivemos acesso através dela. É desta forma que vemos inúmeros cientistas sociais, filósofos, historiadores, etc, dizendo que autores como Roger Scruton não tem conteúdo (sic). Isso só para dar um exemplo. A realidade paralela que a esquerda cria com o ambiente universitário será uma carapaça que jamais se quebrará. Depois de formado (note bem a conotação que essa expressão adquire numa situação dessas), ele se encontra capaz de negar a realidade categoricamente e afirmar que o que vemos e acontece bem diante de nossos olhos não é bem como está parecendo. Então aparecem milhares de teorias e explicações elaboradas sobre luta de classes, preconceito racial, contra as mulheres, e tudo o mais que a esquerda esteja “apoiando” no momento. Dessa forma, após uma completa transformação dos mecanismos de apreensão da realidade, o indivíduo está apto a fazer o mesmo com outros jovens e assim por diante. Não poderia deixar de mencionar um agravante que os americanos não têm a menor ideia: Paulo Freire. Seu método de alfabetização, adotado como avançadíssimo pelo MEC prega que a língua oficial não é tão rígida assim e deve-se levar em conta o contexto social do aluno. Não se deve corrigi-lo em nome de respeitar sua condição social. E deve ser educado para ter consciência de que escrever corretamente é apenas parte da luta de classes, que se manifesta em todos os aspectos da vida, inclusive na imposição de uma gramática e ortografia. Isso implica que cada vez mais a língua oficial seja depredada. E a língua não é apenas um instrumento de expressão, embora também o seja, mas é principalmente uma visão de mundo. Se o aluno não aprende a língua corretamente, sua capacidade de compreender a realidade é reduzida. A língua é muito mais do que escrever bem. . Logo, se o aluno acredita, por influência de seu meio, que democracia é apenas uma palavra para quando se ganha uma disputa e fascismo para quando se perde, não é o professor que vai resgatar o significado desses conceitos. Evidentemente que os alunos não aprendem a ler na universidade, mas já trazem vícios que deturpam sua capacidade de aprendizado. Ao se deparar com cursos que privilegiam o entendimento político da realidade, isso fica muito pior. Afinal é uma continuidade e não é na universidade que vão aprender a corrigir vícios de leitura ou de escrita. Se o estrago já está feito e o aluno não consegue compreender completamente o que está lendo, se não vai além de sua compreensão particular, estará prejudicado para sempre. E por mais que se tente mostrar como a política apenas prejudica a universidade, é uma discussão previamente perdida. Todo aquele que está tomado por uma ideologia se imagina possuidor de uma verdade incontestável e evidente. Isso é importante, porque é mais um dos métodos de se destruir o pensamento: ao transmitir o que é apenas uma visão como uma verdade autoevidente, o aluno aprende que “pensar” assim é o óbvio e que é burrice não pensar assim. Discordar é só um sinal de obtusidade, de ignorância. Dessa forma, ao mesmo tempo que torna os alunos cada vez mais ignorantes, os torna também confiantes em sua verdade. Um exemplo perfeito de soberba, de ignorantes que se acreditam grandes sábios.

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    Roger Kimball

    É um escritor, crítico de arte, professor, filósofo e comentarista americano, sendo um dos mais importantes críticos culturais americanos em atividade. Cresceu no Maine e estudou filosofia no Bennington College e na Universidade de Yale. Lecionou em Yale e no Connecticut College. É o editor responsável do "The New Criterion" e presidente e editor da Encounter Books. Escreve com frequência para o "The Wall Street Journal", o "Spectator" e o "The Times Literary Supplement" e para várias revistas. Muitos de seus escritos são direcionados ao que ele vê como uma politização e declínio da cultura ocidental, especialmente das artes.

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