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    Nem uma vez uma voz humana -

    Débora Gil Pantaleão

    Escaleras
    2017
    72 páginas
    2h 24m
    ISBN-13: 9788594213013
    Português Brasileiro
    4
    7 avaliações
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    Com capa por Ícaro Medeiros de França, Nem uma vez uma voz humana é um livro de nove contos que traz uma estruturação narrativa e uma linguagem em comum. Tratam-se de textos breves, narrados em primeira pessoa, que priorizam o universo mental de suas nove protagonistas, cada uma vivendo alguma situação cotidiana e de sofrimento psíquico. Dentre os temas abordados estão depressão pós-parto, suicídio e violência de gênero. Em orelha, a poeta Anna Apolinário observa "Um mosaico de vozes em experiência-limite. Cada texto aqui é centrado em fluxo da consciência e monólogo interior, revelando a catarse das personagens, todas mulheres. Somos levados para dentro de um redemoinho, o turbilhão de cenas cruas que se repetem: densas, dolorosas, como marteladas em fina superfície. Débora Gil Pantaleão tece uma poética do transtorno, esmiuça o desnorteio humano em discurso íntimo, visceral, sobretudo, belo, incisivo. A violência do sofrimento psíquico esmaga os sentidos da fala, do pensamento, da ação. Nem uma vez uma voz humana, nove vezes um canto gutural, em auge animalesco, faz ecoar uma fome que oscila entre o lúcido e o bárbaro, permeando a insanável brutalidade da vida".

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    Berttoni Licarião05/10/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A editora Escaleras surgiu em 2017 e teve suas três primeiras publicações anunciadas no Mulherio das Letras, movimento nacional pela visibilidade da literatura produzida por mulheres que aconteceu em João Pessoa/PB em outubro do ano passado. Nossa autora da vez, Débora Gil -- poetisa, contista, doutoranda em Letras, professora de criação literária e, esperamos em breve, romancista -- é uma das idealizadoras da casa, que tem por objetivo editar sobretudo autoras da literatura brasileira contemporânea, sejam elas cis ou trans. Apresentadas @deboragilpantaleao e @editoraescaleras , Mucho gusto, Encantada, vamos ao livro. . Nem uma vez uma voz humana é um livro de engasgos. Engasgos lexicais, ortográficos, discursivos, pessoais que atravessam nove contos breves escritos para serem lidos assim, aos solavancos. Eu poderia até dizer “literalmente” sem risco dos puristas da língua pularem em meu pescoço, basta abrir em qualquer página e confirmar. A dicção encontrada por Débora para os contos que compõem este volume lança mão de um vínculo deliberado entre forma e conteúdo, como se cada pausa, cada ponto que impõe pequenos abismos entre as frases alertasse a leitora e o leitor contra a brevidade do próprio texto, contra a fluidez discursiva, mas a favor da pausa, da falha, da reiteração, do fragmento, do retorno. Não à toa, a repetição é um recurso recorrente (perdoem a aliteração) e, assim como em poesia nenhum verso repetido significa a mesma coisa que sua aparição anterior, nos contos de Débora Gil (que, a propósito, se fossem alinhados em versos, resultariam poemas), a repetição é reflexo de uma linguagem que pulsa através (ou talvez dentro) do transtorno. Suas personagens, mulheres sem nomes, vagam entre quartos, lençóis, pó de café, bolhas e sangue, sempre a ponto de abandonar o leitor pelas beiradas das páginas. . E abandonam mesmo—sem avisar e pisando um pouquinho em cima da gente.

    1 curtida

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