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    Não Basta Dizer Não - Resistir à nova política de choque e conquistar o mundo do qual precisamos

    Naomi Klein

    Bertrand Brasil
    2017
    294 páginas
    9h 48m
    ISBN-13: 9788528622737
    Português Brasileiro
    4.2
    50 avaliações
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    A tomada da Casa Branca por Donald Trump é um agravamento perigoso em um mundo de crises encadeadas. Sua agenda imprudente acarretará ondas de desastres e choques para a economia, a segurança nacional e o meio ambiente. A renomada jornalista, ativista e autora best-seller Naomi Klein passou duas décadas estudando choques políticos, mudança climática e a “tirania das marcas”. Dessa perspectiva singular, ela argumenta que Trump não é uma aberração, mas a extensão lógica das piores e mais perigosas tendências dos últimos cinquenta anos. Não basta, ela nos diz, meramente resistir, dizer “não”. Nosso momento histórico exige mais: um “sim” inspirador, digno de confiança, um guia para reivindicar o território populista daqueles que buscam nos dividir.

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    Ricardo Silas28/09/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    É importante dizer não, mas também é importante dizer sim

    “Não basta dizer não” é um livro que investiga a ascensão de Donald Trump à presidência dos EUA. Mais do que isso, é também uma análise dos fatores e do terreno que tornaram esse fenômeno possível, na expectativa de que ele não se repita no futuro, se fizermos o devido apelo para promover uma mobilização contra a ascensão da extrema-direita no futuro. Li esse livro em um momento muito oportuno, dias antes das eleições que podem nomear presidente da república ninguém menos que Jair Bolsonaro, um dos políticos mais ignorantes e retrógrados do planeta. Para a jornalista e escritora canadense Naomi Klein, a vitória eleitoral de Trump ocorreu em um período que ela denomina “política de choque”, em alusão à sua obra intitulada A Doutrina do Choque, período este que traz um nítido retrato da desilusão política da classe trabalhadora norte-americana. A política de choque é uma estratégia de fragilização e desarticulação da população, que sofre duros e sucessivos golpes num espaço de tempo relativamente curto, exatamente para impedi-la de entender o que está acontecendo no cenário político. Logo, as crises existentes são ou inventadas ou infladas com ódio, medo e distorções da realidade, gerando um terreno de incerteza e instabilidade para que as classes dominantes imponham medidas de austeridade que prejudiquem os pobres e maximizem o lucro dos ricos. Foi assim no Chile pós-golpe de Augusto Pinochet, o berço da experiência neoliberal, e também no Brasil, durante a sangrenta ditadura militar de 1964. Os caminhos democráticos, as instituições públicas e todos os representantes eleitos caíram em descrédito graças ao fracasso do neoliberalismo selvagem que vigorou durante o governo do democrata Barack Obama. A retórica utilizada por Trump, além de preconceituosa e bastante agressiva, manipulou a indignação popular para fazê-la direcionar toda a sua fúria não para os verdadeiros responsáveis pela crise financeira de 2008, a elite de Wall Street e os políticos aliados a ela, mas aos negros, aos homossexuais e aos imigrantes igualmente prejudicados pela ganância do poder econômico. Foi por causa disso que grande parte das soluções extremistas ganhou notoriedade em nos países afetados pela crise neoliberal, muitas vezes exaltando lideranças com intenções assumidamente fascistas em meio à arena política. Naomi Klein nos alerta para um fato aterrador: em um dos momentos mais preocupantes da história da humanidade, que exige de todos os países uma mudança radical em seu modelo de consumo e de exploração dos recursos naturais, o presidente da nação mais poderosa do planeta é também um negacionista da ciência das mudanças climáticas e do aquecimento global, a ponto de censurar cientistas que divulgam estudos contrários aos interesses escusos do governo. O interessante da análise de Klein é que ela investiga o crescimento de Trump de uma maneira que eu ainda não havia cogitado. Klein escreveu o livro Sem Logo, uma espécie de denúncia contra o império das marcas no mundo do consumo, cujas empresas e acionistas, muitas delas mundialmente famosas, como a Nike, submetiam os trabalhadores das fábricas a jornadas de trabalho exaustivas, em ambientes totalmente insalubres e recebendo salários injustos, que mal lhes permitiam sobreviver com dignidade. É sob essa perspectiva que ela descreve a figura de Donald Trump: como uma pessoa e uma marca. Não é em vão que Trump estampou seu próprio nome em todas as suas propriedades comerciais. Por ser um magnata do setor imobiliário, sua imagem pública de presidente representa, acima de tudo, uma propaganda de seus negócios privados, de modo que sua estratégia política consiste unicamente em ser primeira página de todos os jornais importantes do mundo. Assim ele divulga não a si mesmo, mas ao seu negócio, a fim de torná-lo mais e mais lucrativo. Essa é apenas uma das várias facetas de Trump que a autora, de maneira resumida e direta, consegue revelar. Revelar e, é claro, destruir. Afinal, Trump é uma marca, um logotipo, um personagem. Se ele tenta encenar o papel de chefe, de empreendedor bem-sucedido com poder de tripudiar sobre os perdedores, uma tática de humilhá-lo, segundo Klein, é demonstrando exatamente o oposto, ou seja, a de que ele não passa de uma verdadeira marionete. Isso é bem familiar para os brasileiros de hoje. Se tomarmos Jair Bolsonaro como exemplo, veremos que ele se apresenta como um machão, um capitão do exército treinado para curar a homossexualidade e matar delinquentes. Como desmoralizá-lo? Ora, simplesmente mostrando que, há poucos anos ele foi surpreendido e abordado por dois assaltantes em sua própria cidade, Rio de Janeiro, que ainda roubaram sua arma de fogo, símbolo de sua de sua repugnante campanha eleitoral, deixando-o impotente, frágil e indefeso, exatamente o contrário de sua pose forjada de militar valentão. Lições como essa podem ser facilmente extraída do livro, pois, por mais diferente que os norte-americanos sejam dos brasileiros, existem semelhanças impossíveis de serem ignoradas. Por fim, o título “Não basta dizer não” cumpre um propósito quase que autossugestivo, pois vem acompanhado de um forte apelo ao “sim”, mas um sim que, de acordo com a autora, sinaliza para os caminhos da esperança e da luta em prol de um mundo melhor.

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    Naomi Klein

    Naomi Klein (Montreal, 1970) é uma jornalista, escritora e ativista canadiana. A carreira de escritora de Klein começou cedo com contribuições ao jornal The Varsity na Universidade de Toronto, escrevia sobre feminismo. Em 2000 publicou No Logo (em português Sem Logo - A Tirania das Marcas em Um Planeta Vendido), que para muitos se transformou em um manifesto do movimento antiglobalização. O livro traz efeitos negativos da cultura consumista e as pressões impostas de grandes empresas sobre seus trabalhadores. Uma das grandes criticadas é a Nike, que em suas filiais no sudeste da Ásia, segundo Klein, tortura os trabalhadores para que estes cumpram as metas da empresa. Klein recebeu resposta da Nike por isso. Em 2002 publica Fences and Windows (em português Cercas e Janelas), uma coleção de matérias escrita por ela sobre o movimento antiglobalização no mundo como movimento zapatista e os protestos contra OMC e FMI. Klein também escreve regularmente para os jornais The Nation, In These Times, Canada's The Globe and Mail, This Magazine e The Guardian. Em 2004 Klein e o marido Avi Lewis fizeram um documentário chamado The Take onde contam sobre os trabalhadores autônomos na Argentina. Em outubro de 2005 esteve em 11ª lugar na enquete sobre os intelectuais de 2005 promovida pela Revista Prospect. Em setembro 2007, Naomi Klein publicou o livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism (em português A Doutrina do Choque: a Ascensão do Capitalismo de Desastre), no qual descreveu como as empresas aproveitam dos desastres naturais, das guerras ou outros choques culturais para avançar políticas de liberalização econômicas. Isso produz empobrecimento das populações, enriquecimento de uma minoria de capitalistas sem escrúpulos e, normalmente, tumultos os quais o governo apaga com o uso da força. Naomi Klein descreve os procesos com o auxílio de exemplos: o Chile do Pinochet, o Brasil e a Argentina das ditaturas militares, a China das repressões depois dos tumultos da Praça da Paz Celestial.

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