Camille Paglia é o cão que late mas não morde: nas opiniões artísticas e nas políticas. O livro consiste em leituras de 43 poemas, cada uma com mais ou menos três páginas. A autora se preocupa sobretudo em expressar como os poemas que ela analisa articulam uma ideia ou visão de mundo. As ideias favoritas da Camille Paglia são: existem experiências universais associadas à morte e à decomposição; há uma disputa natural entre mulheres e homens, entre pais e filhos; a relação do artista/criador com a natureza decadente é a priori problemática. A seleção dos poemas favorece esse ponto de vista; frequentemente, Paglia faz os poemas dizerem o que ela quer que eles digam. As análises se tornam repetitivas e previsíveis, e rendem pérolas como: uma pergunta parentética sobre a relevância da asma de Theodore Roethke para sua escrita (EU não sei, você que me diga!), uma digressão sobre as falhas do movimento feminista norte-americano em uma análise de Daddy da Sylvia Plath -- como se o poema de Plath pudesse formular um argumento ideológico que provasse ou refutasse o feminismo dos anos 1960. Isso é menos importante, mas, ao enfatizar as ideias dos poemas, Paglia muitas vezes se esquece de olhar para a linguagem, e para questões formais para além da estrutura geral do texto. A leitura final de "Woodstock" da Joni Mitchell, afetada e desnecessariamente longa, é simbólica desse problema. Meu sentimento ao longo do livro foi: não é porque você pode escrever algo que você deve. Paglia acrescenta muito pouco aos poemas que analisa, quando não os sufoca. (Um espaço para a minha pergunta parentética desnecessária: por que 43 poemas?)
No geral, o livro deixa de ser interessante lá pela metade, e começa a se repetir e prolongar. Em seus pontos altos, "Break, Blow, Burn" faz pouco mais que uma paráfrase criativa. Recomendo para quem não lê poesia, e para aqueles que, por razões que me escapam, são fãs da Camille Paglia.
3/5.