Se alguém achou que eu tinha desistido do restante da coletânea, sinto informar que ainda me resta coragem (amém). Tem muito chão pela frente, quindim, e pelo ritmo que anda a coisa, melhor preparar uma pipoquinha para acompanhar os próximos capítulos dessa saga masoquista.
O livro de hoje é “O vôo da borboleta”, primeiro que leio da Giselle Vieira, e quarto (agora terceiro rs) da coletânea Nas Sombras da Cidade, publicada na Amazon mais ou menos um mês atrás. Ele é um prequel (livro 0) de uma série chamada “As Chaves de Abaddon”, que a autora pretende escrever e publicar em breve.
Fazendo o resuminho do sucesso antes de começar a descer o pau (eu juro que não é de propósito, gente): Vanessa é uma garota que, quando criança, foi atacada e marcada por um demônio do fogo. A Ordem Trinity, uma organização secreta de caçadores de criaturas sobrenaturais, descobriu que Vanessa tem um poder especial e enviou alguns de seus associados para protegê-la e levá-la para a sede da Ordem. Mas os caçadores designados para a missão decidiram, em vez disso, esconder Vanessa e cuidar dela sozinhos, como uma grande família feliz. Agora, anos depois, o demônio está de volta, a Ordem reaparece, e mais seres sobrenaturais surgem na jogada… Todos querendo a Vanessa.
Preparem o inseticida que as borboletas estão chegando!
Preciso confessar que comecei o livro super empolgada. Nos primeiros dois capítulos tem vampiros, espectros, uma garota chutando bundas e demônios pra todo canto. Como não gostar? Simples: faça da sua protagonista uma pessoa quase insuportável. Vanessa é uma mulher de 20 anos mimada, infantil, irresponsável e com sérios problemas psicológicos. Ela passa o livro todo alternando entre “caçadora” (entre aspas porque ela não participa da Ordem) inexplicavelmente super poderosa e adolescente rebelde que necessita urgentemente de um corretivo/pulso firme dos responsáveis.
Me irritou profundamente o fato dela não ter um crescimento mágico (apesar de no livro a personagem dizer que teve), nem ter limites para o que pode ou não fazer com seus poderes. Absolutamente TUDO que ela pensa que pode fazer com suas borboletas de energia, ela consegue. Chega a dar nos nervos. E como se não bastassem as borboletas milagrosas, Vanessa também é a irmã perdida do Aang, até então último dobrador de ar conhecido (sem spoilers de Avatar nos comentários, POR FAVOR).
E os outros personagens não são lá muito melhores: Hoyt, o “ex-caçador” que resgatou Vanessa anos atrás, está sempre atrasado e perde toda a parte boa da treta. Ele passa 70% do livro ausente e não tem nem a cara de pau de responder as mensagens e/ou chamadas da sua tutelada. E quando aparece, já nos 45’ do segundo tempo, participa de umas cenas muito bizarras e fala umas coisas muito sem noção, considerando as idades de todos os envolvidos.
Enquanto Hoyt viaja, Alessa (sua irmã) é a responsável pela Vanessa. Teoricamente deveria servir de guardiã da garota e fazer com que ela cumpra todas as obrigações normais da maioria dos jovens, como ir para a faculdade e estudar (embora eu ache que pai/mãe não tenha obrigação nenhuma de ter que ficar no pé da(o) filha(o) de 20 anos pra isso). Mas a Alessa falha miseravelmente nessa parte. A Vanessa é levada por um íncubo bem debaixo do nariz dela, é atacada por ele e conhece três caçadores desconhecidos no tempo que leva para ela perceber sequer que a garota sumiu e ir atrás dela. Eu esperava mais da Alessa.
Agora, os personagens que eu gostei, ou que pelo menos eu estava gostando até os últimos dois capítulos do livro: Mammon, um dos demônios high-level, tem um potencial enorme para vilão e eu espero que ele seja melhor trabalhado na série; o Élcio, o “filho do senador”, que aparece bem rapidinho, pra fazer um negócio rapidão mas que me deixou um pouquinho curiosa por mais dele; e o Ifrit, o demônio de fogo que marcou a Vanessa e que quer ter ela como sua escrava particular. Esse último, em específico, me decepcionou MUITO também. Criei altas expectativas pelo confronto com ele, e no final das contas tudo foi resolvido muito fácil e sem problemas. Passei mais tempo lendo sobre a Vanessa tomando banho, indo dormir e passeando por aí do que de fato lendo sobre a briga tão esperada do livro. Frustrante.
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Resumindo pra quem não tem paciência de ler tudo, o livro tem uma ideia muito legal que foi trabalhada de uma forma muito ruim. Não simpatizei com nenhum dos mocinhos, achei problemas de personalidade em quase metade dos personagens e quase dormi em cada descrição gigantesca e inútil do cotidiano da protagonista. Pra quê eu preciso saber, por exemplo, que ela bebeu meio litro de coca-cola com coxinhas no café da manhã? Ou que ela usa duas calcinhas (pra quem pegou a referência, um beijo) em casa? Essa foi uma das causas principais de eu ter demorado tanto a terminar o livro, por sinal. Sempre odiei essas descrições exageradas.