O Haruki Murakami "volta" com mais um lançamento pela Companhia das Letras e o que a gente faz? Divulga, enaltece e CORRE pra ler!
Antes de conversar sobre O elefante desaparece, eu gostaria de fazer uma comparação que talvez pareça um pouco absurda: o Murakami pra mim é como o Stephen King japonês: dezenas de livros lançados (óbvio que o King tem mais, porque o cara escreve um livro por semana), cada história muito bem ambientada com personagens convincentes e reais, sem falar na riqueza de detalhes que nos insere em cada um dos mundos apresentados. Eu adoro os dois autores, e sempre inicio cada leitura confiante de que não vou me decepcionar.
Todas as 17 histórias de O elefante desaparece nos apresentam realidades fantásticas que de algum modo vão remexer o nosso psicológico, seja com uma situação inacreditável e absurda, ou um conto que apesar do tom fantasioso está muito próximo do real, ou ainda uma historinha de amor que fará alguns leitores mais frágeis (eu) chorar.
Sobre a garota cem por cento perfeita que encontrei em uma manhã ensolarada de abril é uma dessas histórias para nos fazer chorar. Apesar de curta, o final é tocante e triste, onde duas pessoas se esbarram constantemente e tem certeza de que são perfeitos um para o outro, e para comprovar isso, decidem aguardar o próximo desses encontros casuais, mas isso só acontece trinta anos depois, e com todas as mudanças que o tempo causou na vida desses dois, sequer reconhecem mais os rostos um do outro e se tornam pessoas como qualquer outra.
O primeiro conto do livro é o título de um romance do Murakami, O pássaro de corda, e fiquei confuso no início porque achei que estava lendo o livro errado. Mas a história na verdade é o primeiro capítulo do romance que foi usado apenas como um conto. Vale destacar que nem todas as histórias são inéditas, como por exemplo Sono, que inclusive já foi lançado em livro com uma edição ilustrada que vale a pena ser lido.
O meu conto favorito foi O segundo assalto à padaria, que conta a história de um casal que sente uma fome incontrolável que o homem imagina ser resultado de uma maldição, porque há muito tempo ele assaltou uma padaria para saciar a fome e desde então tem se sentido daquele jeito, e qualquer um ao seu redor também seria afetado por isso. Dispostos a acabar com essa maldição, o casal sai de madrugada para assaltar mais uma padaria, achando que assim colocariam um fim naquele pesadelo, mas percebem que pelo horário, só o McDonalds está aberto e é lá que eles vão fazer o planejado. Hilário e incrível!
Leitura divertidíssima e rápida que eu recomendo sem medo, Murakami nos mostra que também é um mestre em histórias curtas. Agora espero ter ânimo para ler o calhamaço do Pássaro de corda...