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    Bíblia - Novo Testamento (Bíblia #II) - Apóstolos, Epístolas, Apocalipse

    Frederico Lourenço

    Companhia das Letras
    2018
    616 páginas
    20h 32m
    ISBN-13: 9788535930818
    Português Brasileiro
    4.5
    48 avaliações
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    Concluindo a publicação do Novo Testamento, este segundo volume da tradução da Bíblia grega reúne os Atos dos Apóstolos, as Epístolas e o Apocalipse. Com apresentação, tradução e notas de Frederico Lourenço, tradutor premiado que já verteu para o português obras clássicas como Ilíada e Odisseia, esta edição, que será composta por seis volumes, toma por base o texto original do Novo Testamento, com seus 27 livros, e a versão grega do Antigo Testamento, também conhecida como “Bíblia dos Setenta”, composta por 53 livros originalmente escritos em hebraico e traduzidos para o grego no século III a.C. Trata-se, portanto, da versão mais completa que há da Bíblia, na qual figuram inclusive partes que viriam a ser excluídas do cânone definitivo. Além disso, a versão grega traz sutis diferenças em relação à hebraica, de modo que ler o livro de Gênesis ou o Cântico dos Cânticos numa tradução que toma como base a variante grega é ler um novo texto. Marco fundamental da história do judaísmo, uma vez que simboliza o momento em que a cultura judaica se internacionaliza ao ser vertida para a língua franca de então, a Bíblia dos Setenta é também de inestimável importância para o estudo da história do cristianismo, uma vez que era a Bíblia das primitivas comunidades cristãs. É a partir dessa versão do Antigo Testamento que Jesus Cristo, pela mão dos evangelistas, cita a Escritura. Por meio de uma atitude ponderada e desprovida de preconceitos face aos problemas linguísticos suscitados, Lourenço oferece notas que esclarecem e contextualizam, respeitando com isso a sensibilidade dos leitores religiosos que desejam aprofundar seu conhecimento das Escrituras sem deixar de cumprir as expectativas daqueles interessados num olhar mais objetivo. Neste segundo volume, o leitor encontrará os Atos dos Apóstolos, as Epístolas e o Apocalipse, textos que concluem a publicação do Novo Testamento. A tradução rigorosa, marcada pela busca do sentido mais profundo das palavras originais, ressalta a dimensão literária deste que é o maior livro de todos os tempos.

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    Alan Martins06/05/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Em busca da tradução mais fiel, parte II

    Título: Bíblia, vol. II: Novo Testamento: Apóstolos, Epístolas, Apocalipse Autor: Vários Editora: Companhia das Letras Ano: 2018 Páginas: 616 Tradução: Frederico Lourenço “Por isso és indesculpável, ó homem, tu, qualquer um que sejas, que te pões a julgar. Pois naquilo em que julgas outra pessoa, condenas-te a ti mesmo, já que tu — que julgas — praticas as mesmas coisas.” Rm 2:1, p. 167 Dando continuidade ao ambicioso projeto de Frederico Lourenço, a editora Companhia das Letras publica o segundo volume dessa nova tradução bíblica, completando a publicação do Novo Testamento. PORTUGUÊS AMBICIOSO Frederico Lourenço, além de tradutor, é escritor e professor de grego antigo. Leciona, desde 2009, na Universidade de Coimbra, uma das maiores universidades de Portugal e uma das mais antigas do mundo ainda em funcionamento. Grande especialista em clássicos, já verteu para a língua portuguesa as principais obras de Homero, Eurípides, Hipólito e Íon. Porém, parece que traduzir todos esses importantes autores não foi o suficiente, pois decidiu dar início a um projeto de maior ambição: traduzir a Bíblia dos Setenta (Septuaginta). Seu projeto não busca ser a grande revolução bíblica, uma tradução que anulará as demais. Trata-se de uma tradução crítica, ou seja, pretende se manter o mais fiel possível ao texto original, sem que quaisquer interpretações teológicas permeiem as palavras. Sendo assim, esse talvez seja o maior trabalho crítico de uma tradução da Bíblia para a língua portuguesa, o primeiro a se propor a traduzir toda a Septuaginta. “O amor é paciente, prestante é o amor: não inveja, não fanfarrona, não se incha [de vaidade]; não é indecoroso, não procura as coisas [que são do interesse] dele; não se irrita nem contabiliza o mal [que lhe é feito]; não se alegra com a injustiça, mas se alegra pela verdade.” 1 Co 13:4-6, p. 254 BÍBLIA GREGA Assim é conhecida, também, a Septuaginta. O nome vem da lenda por trás dessa versão da Bíblia. Dizem que setenta sábios, a pedido de Ptolomeu II Filadelfo (faraó do Egito, de 283 a 246 a. C.), foram reunidos com o intuito de verter o Antigo Testamento para o grego arcaico, conhecido como koiné. Os manuscritos mais antigos, e mais bem preservados, dessa versão da Bíblia, datam do século IV. Conhecido como Codex Sinaiticus, o manuscrito foi descoberto no Mosteiro de Santa Catarina, em Sinai, Egito. Partes desse códice estão espalhadas por diversos países, porém sua maior parte encontra-se na Biblioteca Britânica. Sua importância é enorme, porque representa um texto mais puro, menos tendencioso, já que alterações, por parte de copistas, eram comuns antes da invenção da imprensa. Como se sabe, os livros que compõem o Novo Testamento não precisaram passar por um processo de tradução, afinal foram escritos, originalmente, em grego koiné (isso é consenso entre os pesquisadores e críticos do NT). “Porque se alguém é ouvinte de palavra e não praticante, essa pessoa é como um homem que olha no espelho para a cara [que tem] desde a nascença; viu a si mesmo e afastou-se e logo se esqueceu do seu próprio aspecto.” Tg 1:23-25, p. 474-475 NOVO TESTAMENTO, SEGUNDA PARTE O primeiro volume desse projeto foi publicado no Brasil em 2017 e apresenta a primeira parte do Novo Testamento: os quatro Evangelhos, que narram a vida de Jesus Cristo. A publicação desse segundo volume completa a tradução dessa coleção de livros tão importante para o Cristianismo. Se nos Evangelhos conhecemos a história de Jesus, do seu nascimento a sua morte e ressurreição, nos demais textos do NT (Atos dos Apóstolos, Epístolas, Apocalipse) encontraremos o que aconteceu depois: os primeiros passos do Cristianismo. Um dos mais importantes nomes para a divulgação da palavra de Jesus foi Paulo, que, até antes de sua conversão, era conhecido por Saulo, um judeu perseguidor de cristãos (as primeiras comunidades cristãs sofreram grande perseguição). A maior coleção de epístolas presentes no NT é de autoria paulina (críticos contestam a autoria de algumas dessas cartas, pois, segundo eles, foram escritas por autores pseudopaulinos), e boa parte de ‘Atos dos Apóstolos’ narra sobre os feitos e aventuras desse autor. Paulo não teve uma vida fácil, sofreu muita perseguição e violência, assim como rivalizou com outros homens que espalhavam a Boa Nova, principalmente no tocante à circuncisão de novos cristãos, ato ao qual se opunha, mas que era defendido por muitos, como o apóstolo Pedro, por exemplo. “Mas o amor perfeito atira o medo para fora, porque o medo tem castigo; e quem sente medo não se aperfeiçoou no amor.” 1 Jo 4:18, p. 527 SOBRE A EDIÇÃO Mantendo o design do primeiro volume, o segundo apresenta apenas uma alteração na cor, predominando, agora, o azul. Edição em capa dura com sobrecapa, miolo em papel Pólen Soft, boa diagramação. A edição contém uma fita para marcar as páginas. A Companhia das Letras preferiu adaptar o texto ao português do Brasil. Acredito que isso não cause nenhum efeito negativo, é apenas uma tentativa de deixar a leitura mais agradável, se levarmos em consideração as diferenças entre o português do Brasil e o de Portugal. Tradução cuidadosa e primorosa, o que se percebe ao ler as introduções e as centenas de notas de rodapé, onde Frederico Lourenço apresenta um grande trabalho de semântica e sintaxe. “[…] nós que não olhamos para as coisas visíveis, mas sim para as invisíveis. Pois as visíveis [são] temporárias, ao passo que as invisíveis [são] eternas.” 2 Co 4:18, p. 275 CONCLUSÃO Ler a Bíblia é algo que vai muito além da fé: é, antes de tudo, uma grande viagem pela história do mundo e da literatura. As bases de nossa sociedade são fundamentadas nos preceitos do Cristianismo, então nada melhor do que ler a fonte disso tudo. Ainda mais nessa brilhante tradução crítica (laica, sem pretensões teológicas, mas sim literárias). Por “crítico”, devemos compreender que a tradução se propõe a manter-se o mais fiel possível ao original, não que se trate de uma crítica à outras traduções, ou algo do tipo. O professor Frederico Lourenço, um grande conhecedor do grego antigo, buscou com esse trabalho apresentar o texto bíblico que foi escrito antes do surgimento das diferentes correntes cristãs. Sendo assim, não temos aqui a melhor opção para você expressar sua fé, porém você terá em mãos uma das melhores versões para estudos, o primeiro projeto a se propor a verter a Septuaginta (Bíblia grega) para o português. Versão muito indicada para quem gosta de literatura, história e semântica. “Não sejas vencido pelo mal, mas vence o mal com o bem.” Rm 12:21, p. 202 Minha nota (de 0 a 5): 5 Alan Martins Visite o blog para ler outras resenhas, poemas e artigos sobre psicologia!

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    Frederico Maria Bio Lourenço

    Frederico Maria Bio Lourenço nasceu em Lisboa, em 1963, filho de M. S. Lourenço (1936-2009) e de Manuela Lourenço (1937-1998). Fez a instrução primária em Inglaterra (Oxford), onde a família viveu entre 1965 e 1973. Frequentou o Lycée Français Charles Lepierre de Lisboa, mas preferiu dedicar-se ao estudo da música (Academia dos Amadores de Música, Conservatório Nacional; mais tarde Escola Superior de Música de Lisboa) e da língua alemã (com explicadores e por conta própria desde os 12 anos e depois no Goethe Institut de Lisboa) e por isso fez o ensino secundário como auto-proposto. Licenciou-se, em 1988, em Línguas e Literaturas Clássicas na Universidade de Lisboa, onde mais tarde se doutorou com uma tese sobre os cantos líricos de Eurípides, tendo sido aprovado por unanimidade por um júri que incluiu Maria Helena da Rocha Pereira (Universidade de Coimbra) e James Diggle (Universidade de Cambridge). A tese foi publicada com o título "The Lyric Metres of Euripidean Drama" (Coimbra, Classica Digitalia, 2011). De 1989 a 2009 foi docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Desde Novembro de 2009 é professor associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tendo-se dedicado durante anos ao estudo e tradução da poesia grega (com destaque para Homero), começou a voltar-se para outros interesses a partir de 2007: Estudos Bizantinos, Germanística e História da Dança. Em 10 Abril de 2008, estreou, com grande êxito crítico, no Teatro da Cornucópia de Lisboa, a sua versão da peça Don Carlos de Friedrich Schiller, com encenação de Luís Miguel Cintra.

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    Frederico Maria Bio Lourenço