Um livro simples de ler e difícil de engolir. O personagem Michael K sofre bocados na história, o enredo parece uma mescla de neorrealismo italiano com o novo cinema iraniano, ou seja, drama atrás de drama, problema atrás de problema rs.
É interessante notar que Coetzee parece ter sido levemente influenciado por Kafka, afinal o nome do personagem principal é K (o mesmo nome de O Processo) além do clássico de Melville (Bartlebly o Escrivão). A sensação que dá é que K é tão teimoso quanto Bartleby e não consegue se moldar de forma alguma com a sociedade.
No título dessa resenha também indiquei o nome de Policarpo, embora eu acredite que o escritor africano nunca tenha lido nada de Lima Barreto. É engraçado notar algumas peculiaridades de K com Policarpo Quaresma, uma vez que ambos são sujeitos ordinários, de bom coração e apaixonados pela agricultura.
Aqui também tem a leve alfinetada de Coetzee aos carnívoros de plantão, porém a sua pregação ao vegetarianismo é mais leve que no livro Desonra e faz mais sentido ao contexto da narrativa.
Recomendo o romance a todos que gostam de personagens cativantes e idealistas.
Nota: 8,06 (0 a 10,5)