Aventuras na História Nº 179 (Abril de 2018) - 130 Anos da Abolição

    não informado

    Caras
    2018
    60 páginas
    2h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Edição de Abril de 2018. Entre as abordagens: # 130 Anos da Abolição: o que Isabel não fez # Kowloon: caos urbano # As 10 maiores vitórias pírricas # Barão Vermellho: o grande "Às" # A China ainda é comunista?

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    R .31/03/2018Resenhou um livro
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    Aproveitando o feriadão de Páscoa para adiantar a leitura das revistas... A reportagem de capa aborda a Abolição da Escravatura em um contexto histórico não tão conhecido por grande parcela da população, que resume o fato à assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel. Falando nela, uma informação que não conhecia: tem quem deseje e se mobilize para que seja de alguma maneira reconhecida pela cúpula do catolicismo, no sentido de beatificação ou canonização. Só o registro da surpresa, pois a ignorância saltitante mais uma vez fala por si mesma... O que a reportagem ressalta, em primeiro momento, é o cenário de lutas que levou à famosa lei, costumeiramente obliterado. Fomos o último do Ocidente a abolir oficialmente a escravidão, o contexto convergia para a abolição, houve lutas e manifestações em vários cantos do império - exemplificados na Revolta dos Malês na Bahia (1835), abolição em Mossoró-RN em 1883 (a primeira cidade) e no Ceará em 1884 (a primeira província), seguindo-se da adesão de outras como Amazonas e Pernambuco. O segundo aspecto é a análise da representatividade de algumas legislações abolicionistas: lei do ventre livre (1871) e lei do sexagenário (1885). Na prática, promovia benefícios aos donos de escravos. Os nascidos pós primeira lei ainda estariam atrelados à escravidão até a maioridade, e os sexagenários, depois de uma vida de exploração, ainda tinham que trabalhar um tempo para indenizar os escravagistas. E finalizando, a reportagem faz uma reflexão na Lei Áurea, que não estabeleceu mecanismos de indenização. Não houve desdobramentos para inclusão dos ex-escravos, relegando-os a um papel marginalizado, acirrando os ânimos racistas pela falta de inclusão. Muito curiosa, e para a reflexão, a colocação de que muitos abolicionistas, apesar de serem contra o escravismo, na prática revelaram-se racistas na sociedade. Gostei também da reportagem sobre “A Cidade das Sombras”. Refere-se a Kowloon, em Hong Kong, que foi considerada a maior favela vertical do mundo, onde houve a maior densidade populacional da humanidade. Em um espaço pouco maior que dois campos de futebol se estabeleceu com população em torno de 50 mil pessoas no final da década de 1980. O texto resgata a história (iniciada no final do século 19 e estabelecida até o início da década de 1990) como gueto social, crescente com o advento das guerras por servir de refúgio a pessoas pressionadas e perseguidas na China pelo Japão. Também há visão sobre o cotidiano. A revista poderia fazer uma investigação na história de Laranjal do Jari, conhecido como Beiradão, localizado no Amapá, fronteiriço ao Projeto Jari. Nos anos 70 e 80 foi considerada a maior favela fluvial do mundo e essa trajetória revela muita coisa de comunidades relegadas a um papel marginalizado e de exploração. Legal também a biografia sobre o lendário “Barão Vermelho”. Ei, não estou falando sobre a banda tupiniquim dos anos 80 e sim sobre o maior ás da aviação. Alemão, muito jovem e com a façanha de ter abatido mais de 80 aeronaves nos conflitos aéreos. Era admirado até pelos inimigos e quando foi finalmente derrotado na França, foi homenageado por militares ingleses e australianos. Ficou marcado como símbolo de determinação, empenho e competência, e não como vilão da guerra. Finalizando, novidade para mim a expressão “Vitória Pírrica”. Refere-se a uma vitória ilusória, que converge para derrota. O termo foi abordado no Top 10 de vitórias pírricas. Entre elas, a que deu origem ao termo (entre gregos e romanos, dois séculos a.C, quando o rei grego Pirro conseguiu derrotar os romanos, mas com grandes perdas, que não conseguiu repor, como ocorreu depois com os romanos) e a Batalha das Termópilas (a ilusória derrota dos gregos foi um dos momentos mais importantes para vencer a guerra final contra os persas). Devaneando com a aprendizagem da expressão, deixe-me ver... Se for levar para um contexto bíblico, acho que o amalequita que levou a notícia da morte de Saul para Davi reflete exemplo de vitória pírrica (que lhe custou caro, registrado no primeiro capítulo de II Samuel no Antigo Testamento) e, configurando para os dias atuais, os bandidos que mataram a vereadora no Rio provavelmente não imaginaram a reverberação que o caso teve ao tentar calar a voz de uma defensora de direitos humanos (só falta serem identificados e punidos pela justiça).

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