A Morte de Virgílio -

    Hermann Broch

    Nova Fronteira
    1982
    502 páginas
    16h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    No ano de 1938, Hermann Broch foi preso pela Gestapo e, durante as cinco semanas de cárcere, o escritor - judeu e austríaco - começou a conceber A morte de Virgílio, sua obra-prima, um marco na literatura do século XX. Nesta monumental empreitada literária, Broch recria as dramáticas últimas dezoito horas de Virgílio, um dos maiores poetas da literatura clássica latina, nas quais ele cogita destruir a Eneida, obra de sua vida. O romance é construído por sonhos, pensamentos e falas do próprio poeta, como um complexo fluxo de consciência, que delineia, num mosaico narrativo, os dramas existenciais e estéticos do artista diante da morte. No império romano aos tempos de Augusto, Broch faz um paralelo com o iminente nacional-socialismo de Hitler de sua época, uma preocupação encontrada em outras de suas obras consideradas clássicas, como a trilogia Os Sonâmbulos. Dá sua contribuição histórica à renovação formal do romance e nos leva a refletir sobre a condição humana, a criação artística e a validade dos conceitos morais.

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    Marcos Augusto03/10/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O romance, um marco do modernismo, recria com forte imaginação as últimas 18 horas da vida do poeta romano Virgílio enquanto ele é levado para Brundisium com febre. Seu autor, Hermann Broch, um refugiado judeu austríaco da Europa da era nazista de Hitler, preocupa-se aqui com o lugar da literatura numa cultura em crise. Escrito em rica linguagem poética e frases rítmicas, o romance possui quatro movimentos “sinfônicos”. No primeiro, o poeta que glorificou Roma confronta a sua vil vida nas ruas. Tendo decidido que a sua escrita, que exclui o feio, é falsa e sem sentido, Virgílio, na segunda parte do romance, decide queimar o manuscrito da Eneida. Na terceira parte, o imperador Augusto convence Virgílio a entregar o manuscrito para guarda em troca da libertação dos escravos do imperador. O quarto movimento completa os três primeiros, à medida que o poeta moribundo consegue conciliar os opostos da vida e da morte, da beleza e da feiura. Naquela que é considerada uma das passagens mais notáveis ​​da literatura moderna, Virgílio tem uma visão moribunda de si mesmo em uma viagem marítima arrebatadora.

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